sábado, 15 de julho de 2017

Almada | Autárquicas'2017: os panfletos da CDU

Além do Partido Social Democrata (PSD) e do Bloco de Esquerda (BE), também a Coligação Democrática Unitária (CDU) já está nas ruas. A diferença face aos dois primeiros é que a coligação comunista não dispõe ainda de cartazes exclusivamente autárquicos mas tem depositado panfletos nas caixas de correio das habitações de algumas ruas do concelho de Almada.

O panfleto da CDU personalizado para a União das Freguesias de Almada-Pragal-Cacilha-Cova da Piedade

O meio escolhido pela CDU para atacar, pelo menos, a repetição dos resultados de 2013 destaca-se dos das demais candidaturas. Os cartazes têm tempo e surgirão muito brevemente. Para começar, o depósito de panfletos nas caixas do correio das habitações de algumas ruas. Isto, por si só, é o suficiente para marcar a diferença face a todos os outros.

E a estratégia escolhida revela inteligência, não só por ser diferente, como por se tratar de uma campanha mais pessoal, que aproxima a CDU de cada agregado familiar que tem propaganda na sua caixa do correio. O efeito é exactamente o mesmo de receber uma carta e tem um impacto completamente diferente dos cartazes distribuídos pelas ruas para qualquer um ver. O segundo, dirige-se às massas, em abstracto. O depósito de panfletos nas caixas do correio individualiza e aproxima a candidatura dos eleitores.

Para se ter uma ideia, foi com base numa estratégia orientada por um semelhante princípio de individualização (embora com as devidas adaptações) que Barack Obama conseguiu superar Hillary Clinton nas primárias do partido Democrata, em 2008. O que a CDU está a fazer não é a mesma campanha de porta a porta, mas acaba por ser uma "espécie de" em versão low cost dada a impossibilidade para repetir na mesma medida. É, de facto, uma forma de se aproximar um pouco mais do eleitor do que através dos cartazes de rua.

Os panfletos da CDU têm algumas características que justificam uma análise mais profunda.

Pontos fortes:
  • A qualidade de impressão é francamente boa, a cores e com qualidade semelhante a uma publicação profissional.
  • Os panfletos são desdobráveis e impressos frente e verso. Uma vez mais, isto denota profissionalismo e impressiona quem os recebe.
  • Ao contrário dos cartazes de PSD e BE, a CDU apresenta três candidatos e não dois: os cabeças-de-lista à Assembleia Municipal, à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia. Ou seja, o destinatário é confrontado com mais um rosto, com o qual pode familiarizar-se de imediato sem ter de perguntar a terceiros "quem é o candidato da CDU à Junta?".
  • A CDU não se limitou a imprimir uma única versão panfleto em massa. Os panfletos estão personalizados para cada uma das freguesias: cada freguesia tem o rosto do candidato da CDU respectivo. Apenas se repetem os cabeças-de-lista à Assembleia Municipal e à Câmara Municipal.
  • Cada panfleto contém ainda uma mensagem de cada um dos três candidatos. Corolário do ponto anterior é que a CDU consegue colocar num mesmo meio tanto discursos macro, de âmbito municipal, como ainda de incidência micro, com particularidades próprias de cada freguesia.
  • Os símbolos da coligação estão muito bem identificados e de forma simples.
  • À semelhança de 2013, há uma aposta nas plataformas digitais, com a indicação das páginas electrónica e de Facebook em duas faces distintas do panfleto. O eleitor que pretenda obter mais informações e familiarizar-se com a candidatura, sabe onde dirigir-se.

Pontos fracos:
  • A incompreensível ausência de um lema de campanha... a menos que "Almada! Concelho!" seja o lema da CDU para as autárquicas de 2017. Se assim for, é muito pobre e macula uma campanha que até começa, a nosso ver, muito bem.
  • Repete-se exactamente o mesmo grafismo de 2013, com nuances muito ligeiras, o que denota uma de duas coisas: a crença total no princípio "em estratégia ganhadora não se mexe" ou simplesmente falta de criatividade.
  • Replica os chavões "trabalho, honestidade, competência". Não é por escrever insistentemente três valores universais e abstractos, que todos promovem, que o eleitorado confia mais no que lê. Em suma, nada acrescenta.
  • A ausência de propostas. O panfleto tem três mensagens distintas e nenhuma delas apresenta uma proposta que seja para o quadriénio 2017-2021. Apenas visita lugares comuns.

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