segunda-feira, 10 de julho de 2017

Almada | Autárquicas'2017: os cartazes do Bloco de Esquerda

O cartaz exposto em Cacilhas (foto retirada da página de Facebook do BE Almada)

O cartaz da candidatura do Bloco de Esquerda a Almada já se encontra nas ruas desde o início do mês de Julho. Algo que, por si só, já é de assinalar a três meses das eleições, sobretudo se nos recordarmos das últimas autárquicas, em que a estratégia do Bloco pareceu mal delineada e feita sob pressão, com uma aposta nos MUPI em detrimento dos cartazes gigantes e já muito em cima do acto eleitoral.

Desta vez, ainda não temos os MUPI (que vão acabar por surgir em complemento aos cartazes de maior dimensão e é muito provável que venham a replicar a imagem dos cartazes gigantes devidamente adaptadas), mas o Bloco já está nas ruas e em vários locais estratégicos (as rotundas são um clássico de qualquer partido ou movimento político).

À parte a correcção do já identificado erro de 2013, a campanha do Bloco de Esquerda para as autárquicas de Almada repete muito da receita de há quatro anos, começando nos cabeças-de-lista - Joana Mortágua para a Câmara Municipal e Carlos Guedes para a Assembleia Municipal. Mas as repetições não se ficam por aqui, senão vejamos:

  • A clara apresentação (e até o alinhamento) dos cabeças-de-lista aos órgãos municipais (Joana Mortágua à direita e à frente de Carlos Guedes);
  • A semelhança entre o lema e o sub-lema da campanha de 2017 com os de 2013: há quatro anos era "Em Bloco por Almada: marca a diferença" e agora é "Contigo, por Almada: a força do Bloco faz a diferença".

Face ao já conhecido, é possível fazer a seguinte avaliação ao cartaz do Bloco de Esquerda:

Pontos fortes:
  • Sem tecer comentários positivos ou negativos sobre estilos de visual e de vestir, porque cada um tem o seu perfil, é facilmente perceptível a forma como Joana Mortágua abandonou o estilo "juvenil" e "rebelde" de 2013 e adopta agora um estilo mais maduro e profissional, com vista a uma maior aproximação a todas as faixas etárias.
  • O Bloco de Esquerda identifica quem são os cabeças-de-lista aos órgãos municipais, não sendo desejável mais do que os dois principais sob pena de gerar confusão visual. Espera-se e compreende-se que identifique os cabeças-de-lista aos órgãos de freguesia noutro formato.
  • O rosto e a identificação dos cabeças-de-lista ocupam espaço suficiente para poderem ser facilmente reconhecidos.
  • O fundo do cartaz marca uma evolução positiva face ao branco de 2013. Aqui, o facto de o fundo revelar um conjunto de pessoas desfocadas favorece o destaque dado ao cartaz do Bloco já que coloca os dois cabeças-de-lista à frente como que a representar todos os desconhecidos que estão desfocados e que podem ser qualquer cidadão de Almada.
  • O símbolo do partido ocupa espaço suficiente e destaca-se do resto do cartaz.
  • O tamanho da letra escolhida para o mote é o ideal.
  • O sub-lema escolhido "a força do Bloco faz a diferença", que destaca o partido face aos restantes e promove-o como capaz de fazer algo que outros não conseguem.
  • Os cartazes principais estão localizados em pontos estratégicos que garantem a sua visualização por muita gente. 

Pontos fracos:
  • A semelhança grosseira entre os lemas e sub-lemas de 2013 e 2017: denota falta de criatividade... para quem se lembrar dos de 2013.
  • O lema escolhido para 2017 ("Contigo, por Almada") é manifestamente pobre e insosso. Era expectável e exigível algo mais impactante, condizente com a boa escolha gráfica.
  • A cor da letra escolhida para o lema é infeliz - embora se compreenda que o vermelho seja uma das cores do Bloco -, já que o vermelho confunde-se facilmente com inúmeras outras cores e mais ainda com fundos multicolores. Se se quiser usar o vermelho como tipo de letra, é preferível usar um contorno para autonomizar esta cor do resto do cartaz.
  • A ausência de indicação de meios de contacto físicos ou virtuais e de perfis nas redes sociais ou na internet em geral.
  • Não apresenta quaisquer propostas, o que é bastante negativo para quem se propõe a eleições.
  • O Bloco dirigir-se ao eleitorado tratando-o por "tu" (no "contigo" do lema) não me parece uma estratégia feliz.

Em suma, o Bloco de Esquerda apresenta cartazes muito mais interessantes que os de 2013, apesar de ainda denotar algumas fragilidades passíveis de serem corrigidas. Assusta a falta de sensibilidade para as redes sociais e para a internet, sobretudo quando são cada vez mais as pessoas que dão importância a isso e são as novas tecnologias cada vez mais decisivas em actos eleitorais. É certo que os cartazes não decidem eleições, mas ajudam. E ajudam, não só a reconhecer os candidatos como a reconhecer propostas e outros dados importantes das candidaturas, como as formas de se chegar a elas. O Bloco parece ainda alienado desta realidade e revela distanciamento de meios gratuitos e que podem revolucionar campanhas.

1 comentário:

Azulnauta disse...

MUPI? Não sabia que este tipo de cartazes se chamava assim mas para mim podiam ter qualquer nome que eu continuo a considera-los poluição visual.

Já vi cartazes deste tipo em situações tão graves como a tapar a visibilidade dos automobilistas junto de passadeiras. E pior, as eleições passam....o tempo passa... mas estes cartazes vão ficando esquecidos por aí.

Percebo que nem todos os partidos podem suportar um outdoor (será que não?), mas este tipo de cartazes devia ser mais controlado.

Mais vale estes partidos à esquerda continuarem a pintar paredes com os seus slogans (apesar de também considerar um abuso), sempre dão mais cor a certos muros cinzentos!