terça-feira, 30 de maio de 2017

Almada | Autárquicas'2017: os cartazes do PSD

Quatro anos volvidos desde as últimas autárquicas, com o aproximar de novas eleições regressa também a análise para o município de Almada. As reflexões que aqui serão feitas terão como base inspiradora a imparcialidade e o rigor, afastando-se ataques gratuitos ou agressões a pessoas e partidos ou movimentos. Aliás, comentários que constituam injúrias serão prontamente eliminados.
 
Uma vez que a análise se cingirá à campanha, à organização, à estratégia e às medidas dos concorrentes, apela-se a que quem faça comentários o faça atacando-se a mensagem e não os mensageiros.
 
Nestes termos,
Apesar dos tímidos sinais evidenciados pelo CDS nas redes sociais, o arranque oficial foi dado pelo PSD, já há algumas semanas, numa cerimónia em que anunciou os principais candidatos aos órgãos municipais e de freguesia. A análise aos mesmos ficará para mais tarde.
 
Por enquanto, foquemo-nos nos cartazes já plantados nas ruas.
 
Pontos fortes:
  • A campanha do PSD nas ruas começa mais cedo que qualquer outra. Isto justifica-se com a necessidade de tentar estabelecer uma ligação com o eleitorado antes das restantes candidaturas e demonstrar que o Partido não se desligou das causas municipais.
  • Aposta em conteúdos dirigidos a duas frentes distintas: a municipal e a de cada freguesia. Os cartazes maiores (8x3) são destinados a conteúdos que envolvem a Assembleia Municipal e a Câmara Municipal. Os mais pequenos (2x1,5) reservam-se às freguesias.
Exemplo de cartaz com conteúdo de âmbito municipal e não de freguesia
  • Os cartazes de maior dimensão têm uma abordagem muito interessante. Não dá destaque a uma afirmação nem a um chavão (bem-estar, qualidade de vida, etc). Coloca uma pergunta, que obriga o munícipe a reflectir se sabe que tal é possível. E o PSD acrescenta que já o propôs e, mesmo sendo favorável ao cidadão, a CDU rejeitou. Seria bastante diferente se o PSD apresentasse uma frase em grande plano a propor "baixar o IRS", correndo o risco de o eleitor julgar que se trata de mais uma promessa impossível em tempo eleitoral. Com esta pergunta, o PSD faz acreditar que não é um mero devaneio do Partido, mas que, pelo contrário, existe uma base para uma proposta desta natureza. Termina com um "a escolha é sua".
  • Nos cartazes mais pequenos, parece haver um esforço no sentido de transmitir conteúdos e ideias relacionados com a realidade de cada freguesia. Isto aproxima o Partido das pessoas e transmite conhecimento da situação num plano micro.
Exemplo de cartaz com conteúdo exclusivamente direcionado à população de Charneca-Sobreda
  • Um mote para cada freguesia, autonomizando cada candidatura às Juntas.
  • A utilização das cores (predominância do laranja) e do logotipo do Partido, afirmando a sua identidade. Vamos ver como serão os futuros cartazes , mas esta estratégia parece contrastar, para já, com a de 2013, em que as cores do PSD deram lugar a uma paisagem de fundo ou a um outro conjunto de cores (cfr. aqui e aqui).
  • O rebordo preto no cartaz, intencionalmente colocado para dar destaque ao laranja.
  • A utilização de etiquetas (hashtags), procurando dinamizar a campanha nas redes sociais.
 
Pontos fracos:
  • Alguns cartazes em algumas freguesias e outras sem um único que seja. Posso não me ter apercebido mas, por mais que se dêem voltas na Caparica e na Trafaria, não encontramos um cartaz autárquico do PSD nestas freguesias. Isto alimenta a narrativa de que ninguém se lembra ou preocupa com as pessoas destas freguesias. Se há cartazes para uma freguesia tem obrigatoriamente de haver para todas as outras.
  • Motes e mensagens enigmáticos. O mote da candidatura Charneca-Sobreda "Resolver a Charneca-Sobreda" o que significa? Resolver o quê, exactamente? E como? Isto não chega ao público. O mote de Laranjeiro-Feijó é "Como Deve Ser". O que significa isso quando num dos cartazes fazem uma afirmação ("9 em cada 10 já chegaram atrasados devido aos transportes públicos") que não se percebe de onde parte e se é insinuação ou uma consequência da incompetência da junta de freguesia? A mensagem tem de ser clara e deixar o eleitor a reflectir dada a sua objectividade e não pela sua ambiguidade. "Como Deve Ser" e "Resolver a Charneca-Sobreda" são motes manifestamente infelizes que nada trazem de novo nem aproximam o Partido da população.
Um cartaz exibido pelo PSD no Laranjeiro. "Chegaram atrasados" aonde?
Quem se atrasou? De quem é a responsabilidade?
  • Mensagens com conteúdos que pouco ou nada têm a ver com o local onde estão inseridas. Num cartaz, junto ao Hospital Garcia de Orta, escreve-se "Em Almada, o lixo está na rua!". O que tem isso a ver com o contexto do Hospital, do Instituto Piaget e com os acessos à ponte, por exemplo? A meu ver, desperdiçaram-se cartazes que podiam fazer constatações .
O cartaz no Pragal
  • A complicação dos hashtags. Transformar um mote num hashtag pode complicar o que deve ser simples. Exemplo disso é #ResolverACharnecaSobreda, que, caso alguém queira dinamizar nas redes sociais, vai dar origem a coisas como #ResolverCharneca, #ResolverSobreda, #ResolverACharnecaEASobreda, etc. Até mesmo o simples #ruaarua pode dar origem a dispersão de hashtags entre #ruaarua e #ruarua por conta dos dois A seguidos. #ComoDeveSer ou #AmarACosta fazem algum sentido, mas há que ter cuidado com esta opção, já que cada palavra deve iniciar-se com letra maiúscula para evitar leituras confusas. Escrever #AmaraCosta em vez de #AmarACosta ou, no pior dos casos, #amaracosta pode levar as pessoas a lerem Amara Costa, como se se tratasse quase do nome de uma candidata.
  • Mensagens vazias. Num cartaz em Cacilhas lemos "Almada vive de costas para o Tejo!". E então? O que significa isso? É necessariamente mau? E qual é a solução? O cartaz nada diz.
  • O recurso aos chavões que nada acrescentam. Os cartazes na Costa da Caparica, por exemplo, são sofríveis. A "Queremos uma Costa de excelência!" acrescentaram-se lugares comuns como "qualidade dos espaços públicos" e "transportes e estacionamento". Num outro diz-se "Queremos revitalizar o centro da nossa Costa da Caparica: + investimento, + emprego". Boa. Não queremos todos, independentemente do Partido? O que propõe o PSD para atingir estes fins que todos os residentes no concelho pretendem? Desconhece-se. Se é assim que o PSD quer chegar às massas e reconquistar a Costa da Caparica, adivinham-se tempos difíceis para o Partido.
Um dos cartazes do PSD na Costa da Caparica
  • Mensagens arriscadas que nada propõem e podem trazer dissabores ao PSD. O sarcasmo pode ser nocivo para quem o usa se não se souber manuseá-lo como deve ser. Um dos cartazes do PSD na Charneca diz "Quer ser um piloto de ralis? Venha conduzir na Charneca-Sobreda!". Ora, à primeira vista, a crítica é difícil de alcançar. Com algum esforço percebe-se que, sendo o PSD a escrevê-la, provavelmente é uma crítica. Mas nem sequer se compreende se a crítica é dirigida à Câmara, à Junta, a ambas e até que ponto é mesmo uma crítica. Afinal, muitos há que vêem na experiência da condução em rali uma boa escolha de lazer. Será isto, então, uma crítica ou uma medida proposta pelo PSD no sentido de construir uma pista de desportos motorizados?
O cartaz na Charneca
  • Má localização de alguns cartazes. O cartaz deve ser lido de frente, por parte de quem vai de encontro a ele e não se deve colocar o cartaz num qualquer local e esperar-se que alguém olhe para o lado ou perceba que está um cartaz político camuflado no fundo que o rodeia. É o caso de alguns destes cartazes.
  • A ausência de contactos ou páginas de Facebook e de Internet para motivar os eleitores a interagirem com as candidaturas do PSD. Recorrer às hashtags sem as acompanhar de páginas nas redes sociais é incoerente e traduz-se num desperdício de recursos gratuitos ao dispor do Partido.
  • Afinal, o que critica o PSD em Almada? E, muito importante, o que propõe o Partido?

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