sábado, 7 de maio de 2016

As Primárias norte-americanas ainda não terminaram

Muitos pensam que as primárias norte-americanas já terminaram e os candidatos resumem-se a Donald J. Trump e Hillary Clinton, mas a corrida está longe do fim e as eleições de Novembro prometem estar ao rubro:
1- Apesar de Ted Cruz e John Kasich terem suspendido as respectivas campanhas, não é líquido que Donald Trump siga tranquilamente para a Convenção republicana em Cleveland, podendo emergir um candidato de última hora ou um qualquer evento que comprometam a oficialização da candidatura de Trump.
2- Os acontecimentos no terreno dão cada vez mais força a Trump: Lindsey Graham e Jeb Bush declararam-se incapazes de votar em Trump, sendo que não apoios destes só dão credibilidade ao provável candidato republicano e tendem a afastá-lo da típica imagem republicana de ligação às classes altas e aos lóbis e à influência dos neocons na política em geral.
3- Os média estão mais macios com Trump e já perceberam que atacá-lo só lhe dá legitimidade. Ainda assim, os analistas continuam perdidos: as mesmas razões invocadas há menos de 1 ano atrás para justificar uma derrota colossal de Trump nas primárias são as mesmas dadas agora para justificar a derrota de Trump em Novembro com um candidato democrata - apesar de a popularidade de Trump estar em crescendo.
4- Vale tudo para sacar o voto: Trump publicou uma foto sua a celebrar o 5 de Mayo enquanto comia um taco e colocava como legenda "I love hispanics"; Bill Clinton, que se diz vegano, andou no Kentucky a distribuir frango frito à população negra para fazer campanha pela mulher.
5- ‪#‎CrookedHillary, como já é conhecida, suscita cada vez mais desconfiança no eleitorado. São demasiadas acusações de que é alvo e as suas declarações só adensam dúvidas, dando muitas vezes o dito pelo não dito e tendo ainda pela frente a investigação do FBI.
6- Continuam ainda a ser divulgados os números dos doadores/patrocinadores da campanha de Hillary Clinton: Arábia Saudita, Qatar, Emirados, etc. E estes favores pagam-se. Por algum motivo Clinton tem mantido um discurso agressivo contra o Irão. Ou seja, "neocon Hillary", a republicana com pele de democrata. Não é por acaso que as pessoas acusam-na de desonestidade e de não ser de confiança. Perante tudo isto, ganha força a campanha ‪#‎DropOutHillary.
7- Neste momento, é muito pouco provável que Hillary Clinton ou Bernie Sanders consigam eleger delegados suficientes para garantir a sua nomeação no Congresso democrata de Filadélfia. É-o porque faltam poucos Estados e Clinton precisaria de eleger quase 700 delegados e Sanders perto de 1.000. Na prática, Hillary, que segue na frente, precisa eleger 66% do total de delegados disponíveis, o que significa que Sanders não pode eleger mais do que 34%. A menos que Clinton consiga uma vitória estrondosa (por números ainda não atingidos nestas primárias), o facto de os Estados estarem a ser bem disputados adia a decisão para a Convenção democrata e para os superdelegados.
8- E Sanders está a conseguir levar o jogo para prolongamento, apostando tudo nesta convenção: não deixa Hillary fugir, vai ganhando eleições e, com isso, pretende exercer pressão sobre os superdelegados. A maioria destes apoia Clinton, mas o objectivo de Sanders é recuperar cerca de 3,5 milhões de votos e, com isso, obrigar os superdelegados a mudarem o seu sentido de voto e apoiarem o candidato mais votado pelo povo. Esta é a réstia de esperança de Sanders: contrariar a regra da proporcionalidade e apostar no número de votantes. Se não conseguir recuperar em votos o que não consegue com delegados eleitos, dificilmente evitará a nomeação de Hillary Clinton.

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