quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Primárias presidenciais dos EUA: Hillary Clinton continua a perder terreno

Há exactamente um ano atrás, no Nevada, Hillary Clinton tinha uma vantagem de 54% sobre Bernie Sanders. No finalde Dezembro, a vantagem era de 23%. Hoje, estamos perante um empate técnico - uma sondagem dá 45% vs 45% e outra dá Clinton em vantagem (48% vs 47%).

Fonte: Associated Press

A "revolução Sanders" continua a conquistar adeptos e as suas movimentações recentes dão esperança. Uma sondagem divulgada hoje e realizada pela Quinnipiac - uma das que têm sido mais precisas nos resultados - confirma esta tendência e dá conta de outro empate técnico a nível nacional, embora ainda com ligeira vantagem para Clinton (44% vs 42%).

Em três meses, Sanders recuperou de uma desvantagem de 30% e, tal como disse no artigo da semana passada, ameaça passar para a frente caso consiga um bom resultado no Nevada (onde passou de claro derrotado a provável vencedor) e na Carolina do Sul (onde também já passou, em poucas semanas, de uma desvantagem superior a 30% para menos de 20%).

Segundo sondagens publicadas hoje pela Quinnipiac, Hillary Clinton já só conseguiria vencer Donald Trump por 1% (ou seja, empate técnico), e perderia com os restantes quatro principais candidatos republicanos (com derrotas com alguma margem para Marco Rubio e John Kasich). Este cenário contrasta com a posição de Bernie Sanders, que continuaria a venceria todos os candidatos republicanos, todos com uma margem cada vez mais sólida, incluindo Ted Cruz e Jeb Bush com uma diferença de dois dígitos.

Acredito piamente que, se conseguir ganhar a nomeação democrata - e sublinho a diferença que os superdelegados podem fazer nestas contas - Sanders vai ser um candidato fortíssimo e derrota qualquer republicano. Os motivos da desconfiança do eleitorado democrata nele são dados por uma excelente sondagem no Nevadarealizada e divulgada hoje pela CNN - em Portugal devia aprender-se a fazer sondagens assim - e que ilustra o panorama nacional:
1- Sanders oferece confiança e honestidade (bate Clinton com diferenças significativas), mas não tem experiência governativa ou política de peso, ao contrário da adversária, desconfiança que não deixa de ser curiosa, já que Barack Obama padecia do mesmo defeito em 2008 (era, como Sanders, Senador).
2- Na prestação de cuidados de saúde, considera-se que Sanders evidencia fragilidade, o que é igualmente curioso, já que o candidato propõe direitos que, para nós, europeus, são direitos básicos mas que nos EUA são privilégios - sublinhe-se que Clinton também soube tirar partido do Obamacare, que tem defendido com unhas e dentes, para manter os eleitorados afroamericano e hispânico.
3- Nas questões raciais e migratórias, também Sanders fica aquém de Clinton, mas tem trabalhado muito (e bem) neste aspecto com encontros que podem ser decisivos e com acções de campanha (como o vídeo de campanha para o Nevada) a tentar corrigir a diferença para Clinton.
4- Política externa, onde a experiência de Clinton tem prevalecido.

No final, Sanders supera Clinton quanto a quem entendem os entrevistados que mais fará pela classe média, e disparou nas preferências dos que acham que tem a melhor hipótese de vencer as eleições de Novembro, enquanto Clinton continua a perder gás e, em desespero, já recorre a ataques directos ao adversário.


Cada vez mais interessantes estas primárias/caucus democratas.

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