quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

As lágrimas de Barack Obama

Os EUA tiveram um Presidente que foi actor antes de enveredar pela política e, mais tarde, chegar à Casa Branca: Ronald Reagan (1981-1989).

Actualmente, têm um Presidente que desenvolveu a arte da representação já na Casa Branca e tem um futuro auspicioso no cinema: Barack Obama.

As suas lágrimas "para espectador ver" revelam uma emoção em torno dos massacres sucessivos nos EUA com recurso a armas que contrasta com a frieza com que não apenas consente como autoriza e justifica a condução de execuções selectivas (targeted killings) através de aeronaves não tripuladas (drones) contra civis - não apenas, mas sobretudo, no Médio Oriente.

Não deixa de surpreender que nem uma lágrima tenha sido vertida por qualquer uma das cerca de 7.200 vítimas destes ataques - a esmagadora maioria deles apenas "suspeitos" e uma parte significativa de civis e crianças.

E também não surpreende que apenas tenha endereçado um gelado pedido de desculpas às vítimas dos ataques quando em Maio de 2015 atingiu dois alvos civis... pelo facto de um ser cidadão norte-americano e o outro italiano.

Fonte: Sputnik

E não surpreende pelo facto de os EUA serem um país de contrastes e fortemente dominado pela segregação racial e social baseada na cidadania de origem ou no simples tom de pele.

De outra forma, como se explica que o ataque de dois muçulmanos em São Bernardino, em Dezembro passado, seja qualificado como "acto de terrorismo", mas a mesma qualificação já não mereça a recente ocupação de um edifício na reserva federal, no Oregon, por fazendeiros armados que ameaçam recorrer à força se as suas reivindicações não forem cumpridas?

Se os fazendeiros tiverem um tom de pele mais próximo dos oriundos do Médio Oriente ou frequentarem uma mesquita já passam a ser terroristas?

Em segundo lugar, porque motivo só encontro estas notícias nos órgãos de comunicação social estrangeiros e em língua portuguesa apenas nos média brasileiros?

Barack Obama é um Presidente sui generis: só tem visibilidade e é reconhecido por cantar, contar piadas que só fazem rir um público fácil que faz questão de ser visto a rir das piadas do sr. Presidente, por chorar a ver (e ouvir) Aretha Franklin, jogar basquetebol com amigos ou terceiros, dançar com a mulher, passear um cão de raça portuguesa ou quando a mulher decide lançar um álbum de hip-hop.

Obama é um animador - ou entertainer como se diz em português corrente -, um ilusionista que enganou toda a gente e venceu o Nobel da Paz apenas por respirar.

Nero toca a lira enquanto Roma arde. E os tolos aplaudem e gozam o pagode porque é muito giro o mundo do espectáculo e Hollywood está sempre na moda.

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