segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Os Nobel como forma de manipular mentalidades discretamente

Não é surpresa para ninguém a utilização da comunicação social para difundir propaganda. No caso dos países do bloco ocidental a propaganda grosseiramente omite ou tenta atenuar o impacto de informação negativa sobre Israel e EUA.

A atribuição dos prémios Nobel é, desde há muito, um instrumento ao serviço das agendas ocidentais. Prova disso mesmo é, por exemplo, o facto de Barack Obama e a União Europeia terem sido laureados com o Nobel da Paz, em 2009 e 2010 respectivamente. O que fizeram para o merecer? Rigorosamente nada. Aliás, até já há quem reconheça o erro e não deixa de ser irónico que, em vésperas da atribuição do Nobel da Paz de 2015, o Nobel da Paz de 2009 tenha bombardeado o Nobel da Paz de 1999.

À falta de capacidade (e coragem) para reconhecer o mérito e a acção de personalidades como Sergei Lavrov ou Vladimir Putin para Nobel da Paz já de há uns anos a esta parte, o Comité decide insistir nas tentativas de manipulação da população. E porque a Rússia está a crescer e a ter um impacto cada vez mais positivo na organização da ordem internacional, este ano foram duas as escolhas para pressionar a Rússia e dar uma garrafa de oxigénio aos EUA:
  • O Nobel da Paz de 2015 reconhece um quarteto que pouco ou nada alcançou na Tunísia e acaba, tacitamente, por reconhecer méritos no desastre que foi e tem sido a Primavera Árabe ao mesmo tempo que lança um recado para a Síria no sentido de seguir o mesmo caminho;
  • O Nobel da Literatura de 2015 atribui relevância a Svetlana Aleksievitch, uma escritora bielorrussa que não perdeu tempo a prestar vassalagem a quem a reconheceu e a criticar ferozmente a liderança política russa - afinal, o cão é sempre fiel ao dono. Convém ainda referir que este prémio não é inocente: Aleksievitch não é apenas oposicionista ao poder político russo, mas também ao bielorrusso, e um dos seus grandes êxitos é "O Fim do Homem Soviético", uma obra que visa transmitir a mensagem de que o estalinismo não só não morreu como está bem vivo na Rússia. Claro que as suas obras encontram-se esgotadas - e já há quem a chame de "Dostoievsky da não ficção" (os rótulos ajudam sempre a engrandecer e valorizar o produto). Ainda assim, pretendo ler a sua obra que aqui refiro. É importante conhecer a fundo o instrumento ao serviço da propaganda sem, porém, me deixar contaminar por ele.
E assim se difunde propaganda.

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