sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Cartazes das Legislativas: Pessoas-Animais-Natureza



Começo por fazer uma declaração de interesses: participei activamente numa candidatura à Presidência do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) por acreditar no mérito da candidata e da equipa que com ela trabalhava, bem como no programa que se tinha em causa para ser implementado no partido. As divergências ideológicas ou organizacionais (dado que perfilho a filosofia base que está na origem da criação do PAN) não se podem confundir com as pessoais, sobretudo por, da minha parte, não conhecer nem alguma vez me ter relacionado pessoalmente com elementos da candidatura adversária. Da minha parte, não tenho qualquer responsabilidade nem ligação às decisões tomadas pela antiga candidata à Presidência do PAN relativamente à sua vida política - apesar de alguns militantes do PAN agirem como se eu tivesse seguido incondicionalmente no mesmo sentido. Posto isto, as avaliações que fizer de qualquer matéria relacionada com o PAN terá sempre como base a imparcialidade e não qualquer afinidade (ou ausência dela).

O PAN, como se sabe, é um partido recente que já assistiu a duas transformações em pouco mais de 4 anos: começou como Partido Pelos Animais (PPA), passou para Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN) e agora é Pessoas-Animais-Natureza (PAN). Conseguiu manter a sigla, o que, a meu ver, é positivo para o Partido, uma vez que pode evitar a dispersão para outras forças políticas de alguns eleitores distanciados da política que se habituaram a ouvir falar no PAN e sabem em quem querem votar.

O símbolo (tal como os estatutos) também sofreu alterações. Este corte é negativo por vários motivos. O primeiro deles porque a memória visual de quem se habituou a ver o logótipo do PAN vai ter de se adaptar à nova realidade e o símbolo mudou significativamente. O segundo, porque o logótipo do PAN é uma imitação grosseira de entidades estrangeiras e instituições ligadas à fundação Aga Khan. A imitação em detrimento da inovação não gera frutos… mas para que seja prejudicial é necessário que quem vote tenha conhecimento da imitação, o que não sucede.

No entanto, o mais decisivo provavelmente será o facto de o PAN saber o tremendo impacto que a palavra "Animais" na sua designação tem na angariação de votos. Funcionou muito bem em 2011, num partido acabado de ser oficializado e que esteve a muito pouco de eleger 1 deputado por Lisboa, e provavelmente funcionará bem em 2015. Muitas pessoas estão cansadas ou de votar nos partidos do costume ou do que consideram a falta de alternativas para votar (que mais não é do que o facto de não conseguirem identificar nada que distinga os partidos desconhecidos dos partidos mais tradicionais). O facto de existir um partido político que se propõe a defender os direitos dos animais - sendo cada vez mais as pessoas em favor da defesa dos animais e da adopção de comportamentos vegetarianos ou veganos - acaba por ser o Santo Graal que o PAN consegue ter e que nenhum dos restantes 22 partidos políticos conseguiu encontrar: uma característica que os distinga dos demais.

No fundo, tudo se resume a uma palavra (animais) e que circula de tal maneira que quem representa o PAN nem precisa de muito: a mensagem passa e quando a defesa dos animais estiver verdadeiramente na moda, o PAN vai afirmar-se no panorama político interno (e externo). E não compreendo o estigma do PAN em espremer o elemento que o distingue dos demais hipotecando a sua independência em coligações com o PS e com outros partidos, como, aliás, fez nas recentes eleições para a Assembleia Legislativa da Madeira e já havia tentado fazer nas Autárquicas para o Porto. O resultado das primeiras foi o que se conhece: o PAN perdeu expressão porque passou a ser um entre tantos outros. 

Em 2011, não foi o fabuloso programa eleitoral do PAN que quase valeu uma eleição. Em 2013, nas Autárquicas, o PAN conseguiu eleger vários representantes locais. Acredito que, em 2014, nas eleições europeias, o facto de Portugal ter poucos mandatos disponíveis para o Parlamento Europeu (21) aliado ao impacto que Marinho e Pinto e o Partido da Terra tiveram condicionou fortemente outro resultado. Em abono da verdade, o mesmo número de votos das Europeias numas Legislativas já dava para eleger um deputado por Lisboa.

Acredito que é uma questão de tempo até que o PAN eleja alguém para um mandato na Assembleia da República ou no Parlamento Europeu. Em 2015, resta saber como será, mas cada vez mais acredito que o PAN vai eleger 1 deputado em Lisboa. Questiono a eleição de 1 deputado no Porto dado que o número de mandatos disponíveis neste círculo eleitoral é menor face à capital. Ainda assim, não me canso de ouvir pessoas que dizem frases como "vou votar nos animais" ou "vou votar no partido dos animais", apontando como motivações a saturação da política ou então a necessidade de proteger os mais desprotegidos, os animais. Nenhuma das pessoas que me diz isto sabe o nome de um dirigente ou candidato do PAN, nem sabem sequer uma medida que o PAN proponha para o país. Sabem apenas que é o "partido dos animais" e eu acredito que isso vai ser suficiente para eleger André Silva para a Assembleia da República. Repito: não são as medidas, as pessoas ou os cartazes que vão dar votos ao PAN, mas, sim, apenas a inclusão de "Animais" no acrónimo do Partido.

Prova de tudo isto que digo é um dos MUPI do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) que publiquei em cima e que se podem ver em várias partes de algumas cidades portuguesas (esta imagem foi captada em Lisboa, junto à Av. Fontes Pereira de Melo). Sei que o PAN tem cartazes 8x3 com a mesma mensagem e outras semelhantes. O cartaz em apreço é uma mão-cheia de nada e serve apenas para consumo interno junto de militantes e activistas sem ligação ao partido mas associados à causa animalista. O impacto da mensagem junto do eleitorado é quase nulo. Na verdade, a generalidade dos portugueses quer proteger os animais mas não quer saber se estes devem ser vistos como pessoas ou não. Vou mais longe: o conceito de "animais" inclui, na esmagadora maioria dos casos, apenas cães e gatos e não os animais de companhia no seu todo ou os animais em geral. De vez em quando também inclui um leão ou uma girafa, em função do eco que notícias de assassinatos a animais têm nos média e nas redes sociais.

Não obstante, podem ser feitos elogios aos cartazes em apreço: a mensagem é simples e facilmente compreendida por todos. A forma como está escrita deixa-a na memória do destinatário. As cores são, a meu ver, bem escolhidas, ainda que a escolha do verde e do azul seja questionável e perceptível - apesar de não se misturarem as duas cores como já fez, por exemplo, a CDU e o PS fez com o vermelho e o verde. A indicação do contacto também é positiva e está colocada de forma simples. O logótipo com a designação do Partido não deixam margem para dúvidas e identificam bem a entidade. Todavia, seria importante questionar o tom do azul e do verde nas letras, talvez demasiado claros para um fundo branco, e também as dimensões e o formato do tipo de letra utilizado para a mensagem, justificando-se, a meu ver, outros que destaquem o conteúdo que se pretende promover e não o equiparem a outros elementos secundários, apesar de importantes.

No mais, apenas a expectativa para saber se o PAN vai substituir ideais pelas medidas que propõe para o País.

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