sexta-feira, 3 de abril de 2015

7 observações sobre o acordo entre o P5+1 e o Irão

1) A lenga-lenga de que o Irão pretende desenvolver armamento nuclear tem como base mentiras e propaganda israelita e Republicana que insistem numa guerra contra o Irão com o objectivo de fragilizar o "eixo xiita" e torná-lo refém do Ocidente ao mesmo tempo que se alimenta a indústria do armamento. Há livros (ocidentais) que o demonstram e está mais que na hora de impôr sanções a Israel pelo mal que tem feito à Humanidade.
2) Nem mesmo os tradicionalmente conspirativos Serviços de Informações dos EUA acreditam nessa pretensão iraniana, como se pode ver através deste link. Ou seja, todos acreditam que o programa nuclear iraniano tem fins pacíficos.
3) O que raio faz a Alemanha nestas negociações? Tentativa de consolidar a visão de que é membro permanente do Conselho de Segurança não de jure mas de facto - contrariando e ignorando tudo o que aconteceu nas I e II Guerras Mundiais e após?
4) O acordo foi conseguido em tempo recorde, depois de 12 anos de sanções tremendamente prejudiciais ao Irão. Só foi conseguido porque houve vontade de todos nesse sentido e porque o prazo estava a terminar. Se tudo podia ser alcançado muito antes? Claro que sim, mas vigora o princípio do "deixar andar para ver se acontece alguma surpresa que faça uma das partes ganhar ascendente sobre a outra".
5) O que ficou decidido foram os termos gerais do acordo, não os pormenores, que são, habitualmente, a parte mais difícil, juntamente com a redacção. Nestas negociações, uma palavra ou expressão podem fazer toda a diferença e comprometer o acordo - ex.: o Irão esteve prestes a abortar as negociações definitivamente quando apurou que uma das condições que lhe foram impostas foi a aplicação automática de sanções em caso de violação do acordo por Teerão. O objectivo de tentativa de introdução desta cláusula é óbvio: a partir do momento em que forem levantadas as sanções, estas só poderão ser impostas novamente com acordo dos P5, onde se encontram Rússia e China.
6) Todos falam que este acordo evita a guerra. Mas qual guerra? E importa responder aos famosos "3Q+COPO" (quê, quem, quando, como, onde e porquê). Uma guerra contra o Irão seria desastrosa e completamente ilícita.
7) A narrativa dos EUA não é inocente quando fala em "preferível o acordo a opção de guerra". A insistência nas vantagens deste acordo como alternativa à guerra tentam apenas sublinhar o seguinte: garantimos a paz, uma vez que a paz é a ausência de guerra. Volto a recordar quem integrou estas negociações: Rússia (que é a verdadeira ponte e o garante do sucesso destas negociações pois é quem vai processar o urânio persa) e Irão. Será que se o acordo final for alcançado alguma personalidade destes 2 países vai ser laureada com o Prémio Nobel da Paz 2015 ou teremos antes o politicamente correcto John Kerry - que acredito que a seguir vai apostar no conflito na Síria pois, a 1 ano das Presidenciais nos EUA, daria muito jeito ter um Democrata Prémio Nobel da Paz para garantir ou a sua eleição directa ou a de um Democrata - ou outro a quem dê jeito ao Ocidente colar-se?

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