terça-feira, 31 de março de 2015

Ofensiva da Arábia Saudita no Iémen

Sobre a ofensiva da Arábia Saudita no Iémen, importa reter o seguinte:
1) A Arábia Saudita é sunita.
2) O grupo que assumiu o controlo do Iémen e que a Arábia Saudita agora combate (os Houthi) é, tal como o Irão, xiita.
3) Os Houthi são apoiados pelo Irão.
4) O Presidente deposto (Hadi) é sunita e venceu as eleições em 2012 depois de prometer corrigir as desigualdades contra os xiitas e outras minorias.
5) Não só nada foi feito como Hadi ainda perdeu o apoio dos seus. Actualmente, não tem quaisquer aliados no Iémen pelo que o argumento saudita de querer salvar o PR legítimo perde a sua validade. Hadi caiu, ponto.
6) Não deixa de ser curioso que os EUA, que saúdam a ofensiva saudita, tenham sido os mesmos EUA que tudo fizeram para afastar Viktor Yanukovych na Ucrânia, também ele eleito (e a duas voltas para não deixar dúvidas).
7) Os Houthi são, de longe, os mais bem organizados, disciplinados e com capacidade para controlar o país.
8) A Arábia Saudita só quer derrubar os Houthi por temer a expansão xiita na região - e o Bahrain não tarda vai dar que falar).
9) Não é por acaso que o Rei Salman tem insistido na formação de uma aliança com o Egipto e com a Turquia para impedir que o Irão continue a afirmar-se como principal potência regional.
10) Ao combater os Houthi, a Arábia Saudita não apenas visa a fragilização do Irão, como acaba por favorecer a Al-Qaeda e o Estado Islâmico que têm aumentado consideravelmente o financiamento em seu benefício.
11) Ainda que muitos não queiram (incluindo Israel), não resta outra hipótese aos EUA e à UE que não seja o apoio aos Houthi. Ou isso ou esperar que o Iémen continue a caminhar para se afirmar como mais um paraíso para extremistas islâmicos (que já é).
12) Apoiar a Arábia Saudita é uma causa perdida e matar indiscriminadamente porque sim. Além de que é compactuar com a violação grosseira do Direito Internacional: a ofensiva constitui um acto de agressão, sem mandato conferido pelo Conselho de Segurança da ONU e não há memória de as instituições iemenitas terem solicitado a intervenção de terceiros Estados.

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