segunda-feira, 16 de março de 2015

Como criar, diabolizar e revitalizar um grupo terrorista: a Al-Qaeda


Eu acho que não consigo ler bem e agradeço que alguém me ajude. Estará a Reuters (e não a RT) a afirmar que «fontes de e próximas da Al-Nusra [grupo filiado à Al-Qaeda] dizem que o Qatar [parceiro privilegiado do Ocidente] goza de boas relações com o grupo»? Que sugeriram que “o nome Nusra seja abandonado” para tentar dar novo estímulo ao grupo? E dizem também que existem encontros entre a Al-Nusra e países da Península Arábica? O objectivo é claro: apoiar, oficialmente, a Al-Nusra para derrubar Bashar al-Assad – esse ditador com o qual muitos já reconhecem ter de negociar, mas se o puderem evitar, fragilizando-o, melhor.

E o que dizer de David Roberts, do Kings College e conhecido embaixador do poder qatari, ter publicado um artigo de opinião na BBC, a 6 de Março passado, no qual apoia a iniciativa do Qatar – alegando que se trata da «opção menos má» – e avança que um plano desta natureza conta com o apoio de EUA e Reino Unido.

Não me digam que, afinal, se chegou à conclusão que os países da Península Arábica e outros ocidentais apoiam e financiam grupos filiados à Al-Qaeda!

E por falar em Al-Qaeda, essa organização que tanto investimento na guerra tem provocado e tanto sangue inocente tem derramado, Barak Mendlesohn publicou um artigo na Foreign Affairs, a 9 de Março, cujo título é «Accepting Al-Qaeda», no qual sustenta que a actual situação no Médio Oriente «exige que Washington reformule a sua política em relação à Al-Qaeda», pelo que «desestabilizar a Al-Qaeda neste momento poderá comprometer os esforços dos EUA para derrotar o Estado Islâmico».

Barak Mendlesohn é israelita, Professor do Haverford College e antigo membro e dirigente da divisão de análise de assuntos externos e estratégia… das Forças Armadas israelitas.

O pior cego é o que não quer ver.

P.S.: A título de curiosidade, a Al-Qaeda combate as milícias xiitas no Iémen, sendo estas últimas apoiadas pelo Irão. Claro que à Arábia Saudita, aos EAU, ao Qatar e a Israel não dá jeito nenhum assistir ao reforço do poder xiita na região e à crescente emergência do Irão como potência regional (ao mesmo tempo que Assad consolida o seu poder).
Talvez por isso dê jeito a alguns revitalizar a imagem da Al-Qaeda e desenvolver alianças anti-Irão - que têm sido promovidas pelo novo Rei saudita junto do Egipto, da Turquia e de terceiros.

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