quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Obama e o combate ao Estado Islâmico: quanto tempo é "duradouro"?

Parece que o Prémio Nobel da Paz de 2009 pediu autorização ao Congresso para travar mais uma guerra (agora contra o Estado Islâmico).

Desta vez, o pedido ao Congresso prevê:
- A condução da guerra contra um actor que não é um Estado, nem um grupo armado a actuar nos EUA (as duas hipóteses que as Convenções de Haia e de Genebra admitem para que uma guerra seja legítima e lícita - o nome Estado Islâmico é muito conveniente, mas é só um nome, não um Estado internacionalmente reconhecido como tal);
- A condução de ataques em qualquer país além do Iraque e da Síria - mesmo não havendo autorização desses Estados ou convite a intervenção (o que constitui um acto de agressão à luz da Carta das Nações Unidas);
- Os militares passam a poder conduzir acções no terreno para libertarem reféns sem autorização dos Estados onde as acções de resgate tenham lugar - onde fica o princípio da igualdade entre as soberanias?;
- As execuções selectivas (targeted killings) são o meio de ataque por excelência - mesmo que ataque meros suspeitos (seja lá isso o que for) e civis inocentes;
- A proibição de condução de "operações ofensivas de combate no terreno de forma duradoura" - resta saber quanto dura uma operação duradoura, afinal?

E, pronto, está encontrada a fórmula para que os EUA tenham jurisdição em todo o Planeta sem necessitarem de autorização do Conselho de Segurança.

Temos países e Seres Humanos de primeira e países e Seres Humanos de segunda, tudo a bem da luta contra o terrorismo e da paz no Mundo, claro.

Em Portugal, isto parece bem a muita gente porque comprou-se a ideia que é para acabar com gente má. Se fosse em Portugal que andassem a abater civis e inocentes queria ver qual seria o sentimento.

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