terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Península Arábica em crise: que futuro para Omã?

A Arábia Saudita resolveu, temporariamente, o problema da sucessão. O Iémen perdeu o Presidente e o Primeiro-Ministro e densificou a anarquia. Agora, a preocupação é (ou devia ser) Omã. O Sultão Qaboos bin Said Al Said já conta 74 anos de idade e, segundo foi possível apurar, padecerá de um câncro terminal que o mantém na Alemanha desde Julho de 2014 e o impediu de participar nas celebrações do Dia Nacional, que é, no fundo, o dia do seu aniversário (18 de Novembro).

Igualmente importante é o facto de o Sultão ser solteiro, não ter filhos e não ter nomeado herdeiros ao trono, pelo que cabe à família nomear um sucessor ou, se não for possível chegar a um entendimento, deverá ser aberto um envelope deixado por Qaboos onde o mesmo indica o seu sucessor. Entre os nomes mais prováveis encontram-se os seus três primos, filhos do antigo Primeiro-Ministro Tariq bin Taimur: Haitham, Assad e Shihab.


O facto de nenhum dos três ser visto como tendo perfil para assumir o cargo (um é Ministro da Cultura, o outro é empresário e o terceiro foi o superior máximo da Marinha) deixa incertezas quanto ao futuro político de Omã: se, por um lado, poderá obrigar o futuro Chefe de Estado a democratizar mais o País, por outro lado, o facto de ser desconhecida a abordagem que o sucessor de Qaboos terá face às pressões para partilhar o poder adensam mais as dúvidas.

A tudo isto há ainda que considerar que a falta de autoridade e carisma de qualquer nome que suceda a Qaboos retiram legitimidade ao sucessor do Sultão, pelo que deixa em aberto a possibilidade de agravamento da tensão num país política e socialmente estável, mas onde também se verificou uma tentativa de revolução inspirada pela Primavera Árabe.

Com o Iémen como vizinho à esquerda, o Estreito de Ormuz à direita, todo um historial de cooperação diplomática e militar com o Ocidente e marcado pelo desenvolvimento, bem como o facto de a economia local estar quase totalmente refém da exploração de recursos naturais e praticamente sem alternativas financeiras parecem justificar que se olhe para a situação em Omã com outros olhos e com urgência.

Sem comentários: