sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Arábia Saudita: o rei está morto, viva o rei...e cuidado com o próximo!

Numa altura em que o debate sobre o terrorismo volta a estar em alta e EUA e UE pretendem reforçar o músculo do combate ao fenómeno (com possíveis ameaças a direitos, liberdades e garantias e investimento na defesa), morreu o Rei Abdullah bin Abdulaziz, o famoso rei da Arábia Saudita que mantém direitos restritivos para as mulheres e... adoptou, em 2014, uma lei que permite qualificar como terrorismo de tudo um pouco - até mesmo o ateísmo.

Agora, com Salman bin Abdulaziz al Saud a suceder-lhe - um wahabita, ou linha fundamentalista dos sunitas que prevê os famosos cortes de mãos, chibatadas e decapitações, mas, ainda assim, distinta da salafista que caracteriza o Estado Islâmico - a questão que importa fazer é quem se lhe segue, dado que não só a linha de pensamento se deverá manter como este, como também a especulação em torno do seu estado de saúde parece apontar para um reinado curto, o que promete gerar algum alvoroço relativamente à estabilidade política da Arábia Saudita.

Neste sentido, recorde-se que, pela primeira vez na história do país, o Rei Abdullah havia nomeado, em Março de 2014, um vice-príncipe herdeiro, que, curiosamente, não é o seu irmão Ahmad, mas, sim, Muqrin bin Abdulaziz, que não faz parte dos Sete Sudairi. Os Sete Sudairi são os sete irmãos descendentes de Hassa bint Ahmed Al Sudayri, a esposa favorita do Rei Ibn Saud, fundador da Arábia Saudita. Como se não bastasse, Muqrin é filho de uma concubina iemenita, Baraka al Yamaniyah, cujo vínculo matrimonial com Ibn Saud não foi confirmado, mas que o tornam meio-irmão dos Sete Sudairi.

Não foi por acaso que hoje Salman anunciou «o regresso dos Sete Sudairi» e prestou-se a acelerar o processo de nomeação da sua linha sucessora, vincando o desejo de manter os Sudairi no poder ao designar o seu sobrinho e Ministro do Interior, Muhammad bin Nayef como vice-príncipe herdeiro.

Pergunta-se agora se a Arábia Saudita sempre terá, mais tarde ou mais cedo, um saudita de ascendência iemenita no poder (ou se morre antes de ter essa possibilidade) e que repercussões tal poderá ter no futuro de um país vizinho de outro cuja instabilidade (política e ao nível da segurança) não parece ter fim à vista.

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