sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Escócia opta por permanecer no Reino Unido

Fui defensor da independência da Escócia por 2 motivos:
- Porque é real a possibilidade de viverem sem dependerem do Reino Unido pois têm (i) a melhor taxa de mão-de-obra qualificada da Europa, (ii) um sector turístico com potencial superior a 3 mil milhões de libras, (iii) indústrias com volumes de negócio de vários milhares de milhões de libras, (iv) 25% da energia eólica e das marés do alto-mar e (v) 60% das reservas petrolíferas da UE. Apesar de tudo isto, a autonomia e a expressão da Escócia nos órgãos de poder é manifestamente baixa.
- Porque acredito que a Europa de grandes impérios territoriais (casos de Espanha, França, Reino Unido e Alemanha) prejudica os interesses de países como Portugal que se mantêm demasiado pequenos para ter voz.

No entanto, a minha opinião é apenas isso, uma opinião. E o que temos de ressalvar aqui é que, independentemente da vitória do SIM ou do NÃO, o que temos todos de saudar é a vitória e o cumprimento de um princípio de Direito Internacional reconhecido a toda a Humanidade: o da autodeterminação dos povos.

A autodeterminação não consiste necessariamente na promoção de campanhas secessionistas. A autodeterminação consiste na possibilidade de um povo poder escolher o seu próprio caminho. E a Escócia escolheu permanecer no Reino Unido, uma opção tão legítima quanto seguir pela independência.

Saúda-se, igualmente, que Londres, ao contrário de Madrid, tenha tido um comportamento exemplar ao reconhecer o direito da Escócia à autodeterminação - mesmo acreditando inicialmente que o NÃO prevaleceria com facilidade. Agora venha de lá o referendo na Catalunha, que segue com cada vez mais força e que é mais que legítimo: as Constituições nacionais não podem servir de apoio a planos imperialistas e constituir um travão aos direitos fundamentais da Humanidade.

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