terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ainda a tragédia no Meco: as sociedades académicas secretas

Anda tudo a fugir ao essencial, discutindo praxe, quando, segundo o que tem sido divulgado, o que aconteceu no Meco nada tem a ver com praxe, tem a ver com rituais de sociedades académicas secretas. Assim como existe a maçonaria, com uma dimensão diferente das do mundo académico, também existem sociedades secretas no mundo universitário, com direito a recrutamento, hierarquia, rituais e procedimentos secretos e sujeição dos seus membros a deveres de confidencialidade.

A C.O.P.A. personifica as sociedades académicas secretas na Lusófona. Na Faculdade de Direito de Lisboa existe a Tertvlia Libertas, com participação directa na organização das praxes e sob liderança do Dux, recrutamento de membros através de provas específicas, sujeitos a deveres de confidencialidade, membros fundamentalistas que vivem para a sociedade secreta, etc. Ninguém sabe bem como funciona a Tertvlia Libertas. E isto significa que ninguém conhece se existem ou não provas semelhantes às da COPA que tiveram lugar no Meco, se existem provas mais exigentes e arriscadas ou se, pelo contrário, se realizam provas banais sem qualquer perigo para os seus membros (pode ser este o caso).

Não quer isto dizer que quem não é tertuliano é ignorante. Quer isto dizer que nada é sabido sobre esta entidade. Da mesma forma que não era sabido sobre a COPA. E a tragédia aconteceu. Aliás, normalmente, é assim nas sociedades e entidades secretas: só quando há sarilho é que se consegue calcular a gravidade do funcionamento destas colectividades.

Por tudo isto, acredito que talvez a Tertúlia Libertas devesse pronunciar-se sobre os recentes acontecimentos e, desta maneira, ajudar a compreender o que aconteceu e também a afastar a discussão actual daquilo que não tem nada a ver: a praxe académica. Até porque a Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa dá guarida à Tertvlia e queremos todos perceber o que leva alunos a organizarem-se de forma secreta, à margem da associação académica, participando em rituais e actos que se desconhece se colocam ou não em perigo a vida ou a integridade física de alguém.

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