quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Afinal, o PSD (também) veste azul

Costumo dizer que o processo de escolha de um partido político é em tudo semelhante ao da escolha de uma companheira: sabemos que não as há perfeitas, por isso devemos escolher aquela com quem temos mais afinidades. Para escolhermos com um mínimo de esclarecimento, precisamos de conhecer várias - e «conhecer» não é necessariamente no sentido bíblico do termo. Mesmo assim, as pessoas mudam. Todos nós mudamos, mas uns mudam mais e mais radicalmente que outros.

Gabriel o Pensador dizia «seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo». O processo evolutivo do Ser Humano deve ser isto mesmo. Mas há quem mude tanto ao ponto de se tornar irreconhecível e acaba por perder a sua essência base, aquela que provavelmente nos atraiu mais e foi decisiva no processo de escolha da pessoa com quem queremos estar.

Aconteceu-me com o CDS. Escolhi esta companheira depois de ter saído com outras, porque foi aquela que mais coisas tinha em comum comigo. Escolhi-a numa fase delicada da sua vida - uma das piores votações de sempre -, porque é sempre tão mais fácil escolhermos as pessoas quando estão em alta. Quis ajudá-la a sair da situação delicada em que vivia. À minha maneira, dentro das minhas limitações, julgo que consegui fazê-lo.

No entanto, quando a Ana começa a sair demasiadas vezes com a Luísa e deixa de ser a Ana para passar a ser uma imitação da Paula coberta com pele de Ana, então é natural que a relação deixe de ser a mesma coisa que era. E, com o passar do tempo, acaba por esfriar e criar um distanciamento que torna o convívio e a vida em comum quase impossíveis.

O CDS deixou de ser CDS há muito tempo e passou a ser uma imitação grosseira do PSD, só que em ponto menor, e, pelo que tenho visto, está interessado em manter-se assim durante muito tempo. Ora, eu escolhi a Ana e não a Paula. E menos interesse ainda tenho em escolher uma imitação da Paula. O distanciamento tem sido desconfortável e tenho feito de tudo para salvar a relação. Sem sucesso. Como dizem os brasileiros «quando um não quer, dois não fazem». E, pior, avaliando pelo que tem acontecido a nível interno e que envolve a minha pessoa, parece que a Ana já não tem grande interesse em continuar a ver-me mas não tem coragem de pôr um ponto final na relação.

A solução para isto é simples: tenho de tomar consciência que chegou a altura de largar. Não vou perguntar-lhe porque motivo não quer estar mais comigo. O motivo é óbvio: ela mudou imenso e descaracterizou-se. Também não vou insistir em pedir mais uma oportunidade à relação. Acabou, acabou.

Ainda no passado fim-de-semana ouvi Jay Leno fazer a mesma analogia «"You know, you have a girl [who] says, 'I don't want to see you anymore.'  Why? You know, she doesn't want to see you anymore, okay?». O meu caso é exactamente idêntico: Ana doesn't want to see me anymore, okay? It's ok. Let's move on. I wish her all the best.

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