sábado, 11 de janeiro de 2014

XXV Congresso do CDS-PP: curtas

Declaração de interesses: depois de ter sido eleito Delegado ao XXV Congresso do CDS-PP que não teve lugar na Póvoa do Varzim, no Verão de 2013, optei por, desta vez, não marcar presença dado o desrespeito tido pelo Presidente do Partido com o célebre episódio das pensões que colocou em risco todo um País em nome de ambições particulares. Ademais, participar num evento para encher um lugar e assistir a bajulação de ditadores em massa não é propriamente do meu interesse. Assim, apenas estive disponível para integrar a Lista B e dar algum apoio a esta lista, embora tenha frisado que não tinha qualquer interesse em estar numa posição elegível e, consequentemente, em ser Delegado ao XXV Congresso.

1- O Movimento Alternativa e Responsabilidade (MAR), corrente liderada por Filipe Anacoreta Correia, apresenta Luís Nobre Guedes como candidato ao Conselho Nacional do CDS-PP. O MAR autoproclama-se movimento de oposição interna. Contudo, Nobre Guedes contraria esta ideia e diz que «não é um movimento de oposição, é um movimento de situação».  Sucede que o movimento apoia Luís Nobre Guedes, mas este, que não é próximo de Paulo Portas, só aceita candidatar-se se António Pires de Lima não o fizer. Contudo, António Pires de Lima é o provável candidato de Paulo Portas. Simultaneamente, Luís Nobre Guedes apoia o MAR, que é oposição (ou situação) a Paulo Portas, mas candidata-se por Lisboa a Delegado ao Congresso pela Lista da Direcção de Portas, contra a própria lista que o apoia e que também ele apoia e que se autoproclama oposição, mas que Nobre Guedes não vê como oposição. Confusos?

2- De acordo com o n.º 1 do art. 29.º do Regulamento do XXV Congresso do CDS-PP, «as candidaturas à Presidência do Partido e à Comissão Política Nacional são apresentadas pelo primeiro subscritor de uma Moção Global de Estratégia». Quer isto dizer que podem candidatar-se à Presidência do CDS-PP e à Comissão Política Nacional 7 pessoas: Paulo Portas, Adolfo Mesquita Nunes, Alves Pardal, José Vasco Matafome, Miguel Xara Brasil, Filipe Anacoreta Correia e Nuno Melo.

3- A Moção Global de Nuno Melo aproxima-se mais de Moção Sectorial do que de Moção Global. Considerando o seu conteúdo, perspectiva-se como improvável uma candidatura de Nuno Melo à liderança - a menos que algo de surpreendente e fora do natural acontecesse, como uma hipotética renúncia de Paulo Portas. Miguel Xara Brasil, José Vasco Matafome e Alves Pardal não têm qualquer peso no interior do Partido para avançarem com uma candidatura, além de que o segundo conquistou a Distrital de Santarém de forma algo ortodoxa e não terá abrangência nacional, enquanto o primeiro e o último têm peso meramente ao nível concelhio (Odivelas e Mafra). Basicamente, as respectivas moções são formas de tentarem ganhar visibilidade no partido e alimentarem as respectivas ambições.

4- A Moção Global subscrita por Adolfo Mesquita Nunes é também uma forma de ganhar peso no Partido, mas será ainda demasiado novo para apresentar uma candidatura à liderança. Coloca-se a questão de Anacoreta Correia, que ameaçou candidatar-se à liderança do Partido. Considerando o primeiro ponto e ainda que o próprio tem a perfeita consciência de que se se candidatar à liderança apenas contribuirá para o reforço da legitimidade de Paulo Portas - pois Portas terá um opositor para derrotar e que não teria se fosse o único candidato - e será o rosto de uma provável derrota com contornos humilhantes que podem mesmo comprometer a sua imagem e o seu futuro no Partido, acho altamente improvável que Anacoreta Correia avance. Aliás, acredito que a ameaça de candidatura à liderança do CDS-PP resume-se apenas a uma tentativa de pressão sobre Portas para que este lhe dê mais visibilidade interna.

5- O candidato vencedor será Paulo Portas, vão agitar-se muitas bandeirinhas, vão bater-se muitas palmas e cantar-se muito o hino. Portas avança em coligação com o PSD nas Europeias tendo como bilhete de troca um provável apoio do PSD para que venha a ser o próximo Comissário português sob a provável liderança de Martin Schulz - não se deixem iludir pela conversa de Pires de Lima e João Almeida com a suposta candidatura à Presidência de Paulo Portas, que não é mais do que uma manobra de distracção do prato principal e serve para pressionar o PSD a patrocinar a ida de Portas para a Comissão. O PSD garante, simultaneamente, o apoio do CDS-PP para o próximo candidato presidencial social-democrata de 2016 e Portas prepara a sua sucessão entre 2014 e 2016. Assunção Cristas tem apoios, mas cuidado com João Almeida.

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