quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Moção da Juventude Popular

Eu não ia falar deste tema, mas não posso deixar de me pronunciar sobre ele.

Sim, eu sei que a moção não foi aprovada. Mas para ser proposta e integrar a ordem de trabalhos, teve de ser subscrita por algumas dezenas de militantes. Isto é preocupante porque significa que inúmeras pessoas concordaram com as ideias aqui propostas. E mais preocupante ainda é que entre os subscritores se encontrem jovens e também Secretários de Estado não tão jovens, mas ainda jovens.

Não posso deixar de censurar esta proposta de moção porque propõe o seguinte:
- «privatizar ou concessionar uma parte considerável do sector empresarial do Estado»;
- «a redução sustentada da carga fiscal, dando especial destaque ao IRC»;
- Entende que «a legislação [laboral] demasiado preocupada com a perenidade dos postos de trabalho existentes tem uma grave influência na escassez de novos postos de trabalho criados»;
- «Deve ser dada maior liberdade também às pessoas na escolha da escola ou da universidade que pretendem» e é por isso que propõem que seja o Estado a pagar essa liberdade «através da execução do programa cheque-ensino». A JP entende que esta é uma das suas «maiores vitórias na área da educação» pois «devolve a autonomia às escolas no seu financiamento, aumenta [como todos nós sabemos] a competitividade entre elas»;
- Finalmente, «acreditamos que o prolongamento até ao 12.º ano do ensino obrigatório é um erro o que se devia recuar para o 9.º ano de escolaridade» (sic).

No entanto, ao mesmo tempo que propõe tudo isto, a JP defende que quer «uma Constituição que defenda as gerações futuras das loucuras vertidas nas decisões de quem HOJE nos governa» (sic).

É preciso dizer mais? A JP já disse tudo.

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