domingo, 8 de dezembro de 2013

As eleições e a África aqui tão próxima

Era uma vez um Estado africano onde se realizou hoje um acto eleitoral. Como bom País africano que é, tem uma bandeira com azul. Sim, os africanos gostam dos azuis. E também dos amarelos, mas já menos. Descobriram que o branco dá um ar mais ocidentalizado, mais humanista, mais puro. E também tem Democrático no nome. Dizem que quanto mais ditatorial é o Estado mais tem necessidade de recorrer à palavra Democrático para tentar mitigar a verdadeira forma de Estado e iludir alguns crentes mais fervorosos.

Este Estado africano é tão democrático que elege o seu líder indirectamente, não vá acontecer alguma surpresa - como já aconteceu no passado. Neste Estado africano, a Comissão Eleitoral e tão transparente que permite recenseamentos de eleitores em áreas de residência às quais não têm qualquer afinidade. Vale tudo para evitar surpresas.

Este Estado africano só confirma as candidaturas das listas da oposição a 2 dias e meio do acto eleitoral, já para haver pouco tempo de campanha e ser praticamente impossível a estas listas contactarem os eleitores. Este Estado africano disponibiliza os meios de contacto a quem está no poder e lhe é favorável mas impede a oposição de ter acesso a eles. O objectivo é, uma vez mais, tornar praticamente impossível o contacto da oposição com os eleitores.

Este Estado africano é confrontado com denúncias de comportamentos deploráveis e criminosos de agentes que são favoráveis ao regime central e, perante o escândalo, o melhor que fazem é tomar decisões salomónicas para ficarem bem na fotografia e castigarem também a vítima. Este Estado africano vira as costas quando um dos seus que está à frente de um órgão responsável por um concelho leva eleitores para uma sala antes de estes votarem. É o mesmo Estado onde os elementos favoráveis ao poder convocam capangas para intimidarem, exercerem pressão sobre o adversário - que para eles é inimigo - e o hostilizarem e tentarem humilhar.

Neste Estado africano lançam-se acusações de fraude e desvio de contactos contra a oposição e difundem-se falsas notícias com o intuito de difamar terceiros e lançarem a confusão. Neste Estado africano, as decisões são tomadas por 1 único sujeito ao nível do poder local, mesmo apesar de os regulamentos serem claros ao exigirem decisões colegiais e devidamente fundamentadas. Quando o sujeito é apanhado em falso e o prejudicado exibe as provas de incumprimento dos regulamentos, quem decide permanece em silêncio para não ser obrigado a dar razão à oposição.

Neste Estado africano, quem vive numa cidade não pode votar nela porque o representante local do regime o vê como uma ameaça - mas já permite a votação por pessoas que residem a km de distância e nem sequer trabalham naquele concelho.

Diz-se que temos muitos Estados africanos como este por aí fora, mas só posso falar da realidade que conheço. Este Estado africano chama-se Centro Democrático Social - Partido Popular e os casos que relato ocorreram em Almada até há instantes. Acredito que só não tenha ocorrido noutros concelhos porque a esmagadora maioria das concelhias tem listas únicas. As pessoas já nem se esforçam em concorrer porque sabem o que lhes espera: reflexos de um Estado africano. Não vale a pena concorrer quando já está tudo viciado.

Quando vejo exemplos destes fico com um sentimento de culpa relativamente aos Estados africanos. Afinal, tanto se diz que a corrupção e violação dos valores democráticos são uma realidade neste continente, mas acredito que se calhar os africanos são como são porque foram estes os exemplos que aprenderam com europeus como estes do CDS.

Sem comentários: