segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A falta de rigor da comunicação social - o caso da Síria

Em Portugal, devemos lamentar o facto de a comunicação social dedicar, com frequência, tempo de antena ao que vem das habituais fontes de informação sem que seja feito o recorte do que se difunde e sem que se exerça o contraditório. Com efeito, não me cansei de ver, ao longo do último fim-de-semana, pseudo-reportagens com "imagens chocantes" (sic) de um ataque dos militares sírios a uma escola em Aleppo. As imagens não só não eram nada de extraordinário como ainda se instrumentalizaram crianças para fazer discursos anti-regime.

E não deixa de ser incómodo o facto de se fazer uma notícia de tamanhas dimensões do referido ataque, mas não se dedicar 1 único segundo ou linha de jornal para denunciar o atentado suicida cometido pelos islamistas junto a uma escola primária xiita em Homs, no mesmo dia do ataque a Aleppo e que provocou, pelo menos, 12 mortes. Nem ninguém denuncia a recente execução de mais de 80 cristãos em Adra (a norte de Damasco), por opositores de Bashar al-Assad e crimes de guerra e contra a humanidade resultantes de ataques deliberados dos rebeldes contra civis. E também ninguém denuncia a recente carta do Embaixador da Arábia Saudita em Londres, na qual declara que o seu País fará tudo ao seu alcance para fazer cair a influência xiita na região - com as consequências daí decorrentes -, nem tão pouco ninguém informa sobre a batalha entre as forças do Governo e os islamistas em Homs, no final da passada semana, na qual os militares tentavam impedir o acesso dos rebeldes a armas químicas que já estavam preparadas para serem destruídas e com as quais os rebeldes pretendiam comprometer os esforços sírios em cumprir o acordo Kerry-Lavrov ou sequer houve notícia de ter sido conquistado um hospital em Aleppo através de um atentado suicida de grandes proporções.

Enfim, salvo muito raras excepções, a nossa comunicação social limita-se a seguir o rebanho dominante, viciando opiniões e permitindo que terroristas cheguem ao poder.

1 comentário:

Eurico Duarte disse...

Muito bem observado!

várias vezes tenho pensado o mesmo, quando vejo a cobertura vergonhosa que tem sido feita desta guerra...