domingo, 10 de novembro de 2013

Os rankings das escolas e o mérito do ensino público

Os rankings valem o que valem. Mas, se há alguém responsável pelos resultados das escolas, esse alguém tem um nome: Nuno Crato. E de pouco adianta referir que estes dados servem para que «a comunidade local perceba o que pode fazer para melhorar na sua escola». Muito me espanta que o actual Governo, que tanto recorre a números e a estatísticas para aplicar as suas medidas, não responsabilize Crato pelos resultados desastrosos do ensino público (com média negativa) e também do privado (onde o Estado já investe milhões de euros para resultados muito aquém do esperado).

Estes números não significam que os alunos portugueses são pouco inteligentes ou que os do ensino público são mais burros que os do privado. Estes números também não significam que o ensino privado é melhor que o ensino público. No meu entendimento, estes números revelam (i) que os programas a leccionar aos estudantes e/ou os métodos de ensino provavelmente não serão os mais adequados à generalidade dos alunos, (ii) que as condições que as escolas têm são distintas e (iii) que as condições sócio-económicas dos alunos podem ter influência sobre os resultados.

Afinal, considerando os dois últimos factores, regra geral, é completamente diferente viver num meio pacífico, com os pais bem integrados profissionalmente e estudar em colégios com condições fabulosas, do que ser oriundo de um bairro social, ter pais desempregados e/ou estudar em escolas com más condições ou com alunos nas mesmas circunstâncias. Não é por acaso que os directores dos colégios não têm qualquer interesse em ter nas suas instituições alunos das classes mais baixas, pois sabem que as condições sócio-económicas dos alunos podem ter influência nos resultados, o que, num mercado tão competitivo como o da educação, poderá comprometer uma boa posição nestes ranking que depois afaste o interesse dos pais e os leve a escolher outros colégios. A tudo isto há ainda que considerar que é diferente estudar em turmas com 15 alunos de estudar em turmas com mais de 30.

O que estes colégios não conseguem nem pretendem fazer é integrar e recuperar alunos em condições desfavoráveis e reduzirem, deste modo, as desigualdades entre as diferentes classes sociais, dando a todos as mesmas oportunidades. E aqui reside um dos grandes méritos do ensino público: congrega alunos de todos os estratos sociais e consegue ficar quase ao nível do ensino privado, mesmo apesar da gritante falta de condições que muitas vezes têm as escolas. Ainda assim, o ensino público forma (como sempre formou) excelentes alunos. Imaginem como seria se, em vez de financiar os privados, o Estado melhorasse as condições da escola pública.

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