sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Mar enquanto projecção dos interesses nacionais, bla bla bla...

Há alguns anos que acompanho a temática do Mar, em termos abstractos, e do Direito do Mar e da Economia do Mar, em específico. A conversa é sempre a mesma: «temos de aproveitar o mar», «temos condições magníficas para projectar os nossos interesses através do Mar», «o nosso Mar faz a ligação da Europa às Américas e a África», «o estímulo económico tem de passar pelos nossos recursos hídricos», «foi a nossa ligação ao Mar que fez de nós grandes e é isso que nos voltará a catapultar», «temos a 11.ª maior ZEE do Mundo», «vamos ficar com a 2.ª maior plataforma continental do Mundo», etc.

Repetem-se os fóruns sobre o Mar e exploração do Mar. Por estes dias vai haver uma conferência na Faculdade de Direito de Lisboa sobre este tema e vai realizar-se outra no Oceanário de Lisboa com o título «Mar Português: Visões de Futuro». Os oradores também costumam ser sempre os mesmos: Manuel Pinto de Abreu e Tiago Pitta e Cunha. Mais um ou outro que vão rodando entre si e está feito. Os pensamentos são sempre os mesmos, as reflexões não mudam e os aplausos no final também não.

No entanto, tanto se trata o Mar em teoria e nada se faz de concreto. Aliás, não consigo compreender como é que tanta reflexão sobre o Mar consegue ter estes resultados e como é que estes grupos de reflexão, muitas vezes com acessos privilegiados aos agentes do sector e ao poder político, não fazem rigorosamente nada para realmente aproveitar o Mar. Como isso não acontece, vamos perdendo tempo com fóruns, encontros e muitas palminhas para os oradores. Apenas massagens ao ego. O Mar, esse, continua exactamente na mesma.

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