segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Maquinista venezuelano conduz o comboio para o inferno?

Já tínhamos visto alguns sinais de que Nicolás Maduro poderia padecer de uma perturbação de foro mental: primeiro, teve uma visão de Hugo Chávez na forma de pajarito chiquitito, depois, viu o rosto do falecido Presidente no Metro - talvez fosse obra de Banksy. No entanto, chegamos à conclusão de que entregámos o comando do Metropolitano de Caracas a um louco quando este cria o vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social, com o objectivo de acompanhar as «missões» de cariz social, faz jus ao ditado «o Natal é quando o homem quer» e antecipa o Natal por decreto para «trazer felicidade ao povo» e faz de Pai Natal ao vender bens electrónicos a baixo custo.

Perante tudo isto, o que decidiu Maduro fazer? Combater a inflação de 50% na Venezuela impondo limites aos preços dos bens, fazendo a maioria deles descer em mais de 50%. As reportagens transmitidas por estes lados dão conta de mais de uma centena de comerciantes detidos por crimes de usura e especulação e parecem denunciar o «homicídio» cometido pelo Governo contra a economia ao reduzir os preços arbitrariamente, afastando, assim, o interesse de investidores.

O problema é que Maduro dificilmente encontrará outra solução para contornar a crise do País. Com uma economia refém da indústria petrolífera, o facto de o poder político de Caracas ser considerado pária por muitos Estados ocidentais tende a retrair o interesse de investidores no País e ainda as políticas de alguns Estados no sentido de incentivar empresas a não exportarem para a Venezuela, o que deixa o poder com pouca margem de manobra e contribui para que a oferta não seja tão competitiva como noutros países e que os níveis de procura em torno de inúmeros tipos de bens (da alimentação aos automóveis) seja consideravelmente elevada. Apesar de dispor de um salário mínimo considerável - com valores em torno do SMN português - a economia venezuelana também é pouco competitiva, em parte pelas condições de circulação de moeda.

Deste modo, o fornecimento de bens, mesmo os mais básicos, são escassos, a produção nacional não vai muito além do petróleo e do chocolate e existe necessidade de importação de bens - sobretudo os de primeira necessidade. Basicamente, Nicolás Maduro está num dilema: se agir como tem agido, consegue controlar os preços e tornar os (poucos) bens existentes acessíveis ao público, mas perde as empresas; se nada fizer, a inflação provavelmente continuará a aumentar e Maduro perde o apoio das classes mais baixas - aqueles que ainda se mantêm fiéis ao regime.

O resultado final de tudo isto parece ser trágico para um Presidente longe dos níveis intelectuais, políticos e diplomáticos de Hugo Chávez: depois de descoberto (mais) um plano para desestabilizar o seu Governo, a crise económica vai continuar de uma maneira ou de outra e não terá condições para continuar no poder. Resta saber se sai a bem e dá lugar à transição para agentes mais favoráveis a Estados com disponibilidade para investir na Venezuela ou se sai a mal e acaba decapitado em praça pública.

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