quinta-feira, 10 de outubro de 2013

A coligação não tem remédio

Primeiro, era um «mero» corte das pensões de sobrevivência (em abstracto, sem mais).

Depois, já dependia dos valores auferidos.

Seguidamente, já só se aplicava aos casos de acumulação de pensões.

Finalmente, acabam a dizer-nos que não se aplica a quase ninguém, uma vez que o Estado gasta 2,7 mil milhões de euros com pensões e o corte pretendido é de apenas 100 milhões.

Pelo meio, 3 personalidades de PSD e CDS (Paulo Portas, Marco António Costa e Pedro Mota Soares) comentam a medida (que resulta das negociações com a troika)... mas ontem já só o CDS é que sabia dela e o PSD assobiava para o lado alegando que não a conhecia. Como é óbvio, todos sabem do que se está aqui a falar mas no PSD impera a lei da rolha, mais não seja para tentar queimar o CDS - o famoso «penta das autárquicas» caiu mal aos sociais-democratas.

Parece-me óbvio o problema: a coligação continua sem se entender e cada um puxa para o lado que mais lhe convém. Entretanto, as dificuldades de comunicação do Governo são alarmantes, senão vejamos: há uma medida polémica que sai para a imprensa quase a bruto e o Executivo permite que se instale a polémica para poder limar algumas arestas em função da reacção à medida proposta. Como é que alguém com o mínimo de bom senso permite que se incendeiem os ânimos desta maneira é um fenómeno que me ultrapassa, até porque, afinal, muito poucos serão afectados pela proposta!

P.S.: Não deixa de ser curiosa a maneira como hoje se lança a notícia de cortes de 15% nas subvenções vitalícias dos ex-titulares de cargos políticos... que permitirão uma poupança de 9 milhões de euros. A forma como João Almeida defendeu, nas redes sociais, este possível corte permite antever que está encontrado o elemento que permitirá justificar os cortes nos salários dos funcionários públicos. Afinal, serão sempre inferiores ao das subvenções políticas.

Sem comentários: