sábado, 12 de outubro de 2013

A CGTP e a marcha na Ponte 25 de Abril

Em teoria, sou contra a hipótese de se realizarem manifestações (e derivados) em locais onde os níveis de segurança divergem dos das ruas. Ninguém faz manifestações em aviões, comboios ou em barcos, por exemplo. Ninguém faz manifestações na Torre dos Clérigos ou no Palácio da Pena. Se for necessário realizar operações de evacuação de civis, qualquer um destes locais tenderá a dificultar essas operações. As pontes não são excepção e a Ponte 25 de Abril idem.

Eu até acredito que a intenção da CGTP seja a de realizar apenas uma marcha e pacífica. O que já não tenho tanta certeza é que a partir do momento em que a marcha está aberta a qualquer pessoa, todos os participantes vão manter um comportamento ordeiro. Ninguém consegue garantir isso. Nem a CGTP, nem mesmo os participantes, uma vez que actos irreflectidos acontecem um pouco por todo o lado e o calor, a emoção ou a adrenalina do momento surpreendem-nos muitas vezes.

Se, por qualquer hipótese, alguém decidir provocar distúrbios ou provocar as autoridades, teremos um belo sarilho na Ponte 25 de Abril, até porque os acessos ao local são manifestamente limitados. Enquanto nas ruas qualquer pessoa pode correr para onde der mais jeito, em caso de emergência, se o fizer numa Ponte terá duas alternativas: ou torce para que nada lhe aconteça ou então atira-se ao rio.

Por tudo isto, tendo a opôr-me a qualquer tipo de iniciativa de motivação política (como manifestações e marchas desta natureza). Contudo, confesso que todo este raciocínio cai por terra a partir do momento em que são permitidas corridas na Ponte e tanto o ex-Ministro das Finanças Vítor Gaspar como o Vice-Primeiro-Ministro Paulo Portas insistem em tratar as pessoas como crianças de 5 anos e comparam o plano de ajustamento com uma maratona e com uma corrida de 5.000 metros na qual só faltam 3 voltas para acabar a prova. Face ao exposto, parece-me óbvio que a CGTP também terá direito à sua corrida.

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