terça-feira, 8 de outubro de 2013

A An(r)gola(da) de Rui Machete

Já muito se disse sobre as declarações absurdas e subservientes que Rui Machete fez relativamente aos seus clientes angolanos que lhe garantem (e garantiram) muito mais nos seus cofres do que o salário de Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, por si só, lhe tem garantido.

Não é novidade para ninguém que este sujeito só seria um erro de casting se tivesse sido nomeado com base no mesmo critério com que a esmagadora maioria deles são nomeados: a ligação ao Partido e a recompensa por muitos favores prestados a meia dúzia de senhores feudais do poder local ou das actuais direcções partidárias.

Rui Machete não foi nomeado com base neste critério, logo, não é um erro de casting. Rui Machete foi nomeado por imposição de Cavaco Silva para que o Presidente possa exercer mais controlo num Governo que até Junho parecia um bar de bichas histéricas que se agrediam gratuitamente porque uma tinha um colar de pérolas e a mais nova um colar de diamantes. Tal como nos típicos filmes de máfia, Machete é o velho capataz destacado pelo capo que vai pôr alguma ordem na casa e ensinar aos garotos como se fazem as coisas com menos gritaria.

Está a conseguir fazê-lo, como se vê. Machete não grita, sussurra ao ouvido dos seus clientes, e fá-lo a mais de 8.000 km (em Luanda) do epicentro da chinfrineira (Lisboa). Machete tem condições para continuar como Ministro, seja de Estado e dos Negócios Estrangeiros, seja sequer da Cultura ou da apanha do mirtilo em Leiria? Nunca teve o perfil, nem terá. Podemos pôr um fato a um trolha, que ele não deixa de ser trolha para passar a ser um respeitado doutor. Afinal, podemos tirar o menino do gueto, mas não podemos tirar o gueto do menino.

De que vale todo este alarido em torno de Rui Machete? Dificilmente valerá alguma coisa, a menos que Cavaco Silva encontre alguém com o mesmo perfil para se infiltrar no Governo ou então entenda que o Governo já não regressará aos tempos de instabilidade que teve muito recentemente. Acresce que este episódio de Rui Machete acaba por não ser mais do que um atestado de incompetência à Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal. Afinal, pedimos desculpa por termos um Ministério Público que se ocupa a perseguir inocentes, em vez de investigar quem deve. Joana Marques Vidal é o sniper que acerta em civis e deixa escapar os prevaricadores. Já que este pedido de desculpas não provoca a demissão de Machete, pois não se terá enganado, então parece ter de ter como consequência a demissão de Joana Marques Vidal, por incompetência.

Entretanto, os nossos senhores angolanos vão continuar a fazer das suas. Já nem vou para a questão dos Direitos Humanos e da democracia, por ser evidente que o regime angolano está longe de imaginar o significado destas palavras. Aqui, Machete e companhia - entre os quais António Pires de Lima, cuja nomeação como Ministro da Economia dará muito jeito a empresas com presença em Angola, como a UNICER - vão ao beija-mão a Luanda. Em Portugal, as pessoas continuam iludidas com partidos políticos e votam nos mesmos do costume. Queixam-se de Machete? Olhem para o resto do Governo e vejam as sondagens. São todos iguais e os portugueses têm o que merecem: depois de colonizados pelos espanhóis até ao final do século XX, agora são colonizados por angolanos.

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