segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: os últimos trunfos gráficos de CDU e PS

Conforme referido recentemente, as ruas do concelho de Almada foram transformadas em arraiais de propaganda por boa parte das listas candidatas, com PS e CDU na vanguarda. A quantidade, a qualidade e a variedade dos materiais investidos na propaganda de rua é por demais evidente, o que demonstra a vontade em apostar forte nestas autárquicas. A situação não é para menos: a actual Presidente, consideravelmente popular no Município, não se vai recandidatar, a CDU aposta num nome desconhecido dos almadenses e o PS encontra aqui a grande oportunidade para conseguir uma vitória inédita em Almada.

Após algumas apostas mais felizes do que outras, os Partidos têm vindo a afinar a estratégia e vão jogando os últimos trunfos para surpreender e cativar visualmente o eleitor. O primeiro deles foi o PS. Ao mesmo tempo que nos brinda com a propaganda manifestamente infeliz que foi afixada nos postes de iluminação e transformada em semi-MUPI - e ainda ontem dei de caras com uma munícipe que parou em frente a um poste de iluminação para tentar perceber o motivo do cartaz -, a candidatura socialista apresenta os novos outdoors, que fez questão de espalhar por todo o concelho:


Pontos fortes:
  • Cartaz de simples concepção, com motivos suficientes (os candidatos à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal) e muito bem visíveis;
  • A fidelidade à cor do Partido, que não deixam margem para dúvidas sobre o Partido que representam;
  • O símbolo muito bem visível, claramente a dizer ao eleitor de quem se trata;
  • A mensagem simples, afirmativa, clara, inspiradora e acompanhada de uma promessa («vamos dar») - felizmente que deixaram o amorfo «somos tod@s»;
  • O nome do candidato a Presidente, Joaquim Barbosa, facilmente legível;
  • A expressão dos dois candidatos, com sorrisos simples, não forçados, e desligados de formalismo, reduzindo a distância para o eleitorado.

Pontos fracos:
  • A aposta no branco como cor de fundo é demasiado arriscada, uma vez que dificilmente capta a atenção dos destinatários e perde-se entre a paisagem onde se encontra localizado o outdoor;
  • O espaço vazio no lado esquerdo, que parece ser ainda maior por ter a cor branca de fundo;
  • A omissão dos locais onde a candidatura pode ser visitada e ainda de qualquer meio de contacto;
  • O PS Almada continua sem apresentar uma única proposta concreta para o Município através dos outdoors.;
  • Não apela ao voto. Nesta altura, há que dar tudo por tudo e não ter vergonha de pedir o voto do destinatário.



Mais tarde, mais concretamente desde o último sábado, a CDU renovou os seus outdoors, num provável último suspiro gráfico de campanha:


Pontos fortes:
  • Não sei se leram o que aqui escrevemos sobre o primeiro outdoor da CDU em Almada, mas, tendo ou não lido, o mais recente cartaz da candidatura de Joaquim Judas foi manifestamente melhorado, sendo disso exemplo o facto de, finalmente, apostar na imagem de Maria Emília de Sousa, actual Presidente, que, goste-se ou não, ainda dá muitos votos, ao lado do candidato, que, quer se queira, quer não, é desconhecido dos almadenses. Se juntarmos ainda a (boa) opção tomada de acrescentar José Manuel Maia, outra figura conhecida do eleitorado, temos, enfim, a ligação entre o ciclo que termina (Maria Emília de Sousa) e o que se pretende iniciar (Joaquim Judas), mantendo ainda um elemento do ciclo anterior que perdurará no novo (José Manuel Maia). A aposta, no meu entender, é certeira e extremamente feliz;
  • Alteração da mensagem. «Com a CDU Almada FAZ BEM!» parecia extraída de um (mau) conto juvenil. A mensagem («Continuar o caminho. Almada mais futuro.») é mais adulta, faz manifestamente mais sentido do que a outra e é coerente com a aposta feita no cartaz ao ligar o ciclo de Maria Emília de Sousa ao de Joaquim Judas. O objectivo é demonstrar aos almadenses que confiaram na ainda Presidente que a confiança deve ser mantida no seu sucessor;
  • Abandono das clichés anteriores (trabalho, honestidade e competência);
  • As cores e a dimensão das letras da mensagem. Destacam-se.
  • A imagem dos candidatos. Sorrisos simples, vestuário formal e menos formal, sem ser antiquado, o que poderia quebrar a ligação aos destinatários;
  • A inversão das cores de fundo, mantendo a fidelidade às cores iniciais da campanha (azul e verde), mas dando agora uma tonalidade (de verde) menos escura que a do primeiro cartaz (azul);
  • A insistência numa forma curva, em vez da conservadora linha recta, dando um ar dinâmico e moderno ao cartaz;
  • A indicação dos locais onde podem ser visitados na internet e no Facebook;
  • A identificação do nome do Partido;
  • O claro apelo ao voto, quer através da palavra «VOTA», bem visível, quer através da apresentação da expressão e do logótipo que vai aparecer no boletim de voto, acompanhado da cruz no quadrado, instigando os eleitores a seguirem este exemplo e a localização da palavra «VOTA», que leva o destinatário a olhar para a zona onde se encontra.


Pontos fracos:
  • É certo que com tantas imagens e palavras é difícil sobrar espaço para muito mais, mas o tamanho das letras e do logótipo da CDU, exactamente como vão aparecer no boletim de voto, são demasiado pequenas;
  • O azul da cruz do quadrado que incentiva ao voto quase se perde no branco de fundo do espaço onde se encontra;
  • Talvez se pudesse reduzir a dimensão do espaço inferior a azul, ganhando-se mais algum espaço que pudesse ser aplicado no apelo ao voto.

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