quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: o arraial está montado em Almada

As eleições autárquicas em Almada entraram recentemente numa nova fase de propaganda. Depois de exibirem alguns cartazes onde se apresentaram candidatos à Presidência de Câmara e/ou à Assembleia Municipal e/ou algumas propostas e slogans, agora chegou a fase de recorrer à artilharia pesada: apresentam-se os candidatos às juntas e, em alguns casos, renovam-se os outdoors para a recta final.

Neste sentido, aumentou exponencialmente o número de cartazes distribuído pelo concelho, criando um misto de verdadeiro ambiente eleitoral com publicidade extremamente ofensiva: é praticamente impossível fazer um percurso de 100 metros sem nos cruzarmos com 2 ou 3 propagandas de diversos candidatos. CDU e PS são, claramente, os que demonstram fazer a maior aposta em propaganda de rua, embora de formas diferentes. A luta sob a forma de propaganda está tão intensa que em alguns locais é notória a rivalidade entre listas, acabando por disputar o mesmo espaço:

Aqui, a CDU e o PS disputam um poste de iluminação na Trafaria numa rua sem saída

Neste caso, PS e Bloco de Esquerda disputam também um poste de iluminação na Caparica.
No caso do BE, este acaba por ser um dos MUPI melhor colocados em todo o concelho, dado que qualquer pessoa que saia da rotunda Filipa D'Água com direcção à Caparica tem sempre de encarar este poste, contribuindo para isso a cedência de passagem de acesso à via.

Na Costa da Caparica, PSD e PS disputam uma área onde estão visíveis a quem pretende entrar nesta rotunda, no sentido Costa-Fonte da Telha.
Dispensa-se o desarranjo da calçada.

Apesar de PS e CDU disporem de mais de 2.000 MUPI de pequena dimensão afixados em postes de iluminação do município, as estratégias de ambos são claramente diferentes. Com a provável intenção de preferir a quantidade sem perder muita qualidade (nota-se que o material é mais fraco que o dos MUPI do PS), os MUPI da CDU são mais simples e, ao contrário das autárquicas de 2009, não concentram tem a imagem de nenhum candidato. Escolheram um modelo onde a sigla «CDU» e a palavra «confiança» se destacam, sob fundo azul - a tal cor que insisto em dizer que está para a propaganda como o preto está para a roupa feminina -, e, na minha opinião, a aposta foi acertada: se o tamanho do MUPI já é reduzido e está feito para que aqueles que circulam tenham um contacto muito curto com a propaganda, então o MUPI deve ter uma mensagem pequena e que fique na cabeça das pessoas sem as fazer perder muito tempo a pensar no que acabaram de ver.

Exemplo de propaganda da CDU

Como elemento negativo desta opção está o facto de os munícipes não saberem quem são os candidatos às Juntas de Freguesia. Não pessoaliza a propaganda. No entanto, como referi antes, o resultado final está bem conseguido, pois o MUPI é eficaz e a preferência pela quantidade (sem negligenciar muito a qualidade), sempre com a mesma imagem, traz resultados: embora do ponto de vista negativo possamos apontar o excesso de propaganda nas ruas, certo é que a estratégia da CDU de afixar um MUPI em praticamente um poste de iluminação torna algumas ruas num autêntico arraial da CDU sem uma única propaganda de adversários. E isto, só não acredita quem não quiser, causa impacto nos destinatários. Afinal, é uma forma de reivindicar território.

O PS, por sua vez, privilegiou a qualidade e tentou conciliá-la com a quantidade. Os MUPI que concorrem com os da CDU, nos postes de iluminação, apresentam os candidatos às Juntas de Freguesia. A ideia está interessante, uma vez que os eleitores vêem quem os vai representar. Contudo, considerando a pequena dimensão dos MUPI, estes deviam ser mais eficazes e menos complexos. Há candidatos que só são conhecidos por quem acompanha a política local, pelo que, ou o eleitor pára para ver se «vai com a cara» do candidato, ou não repara e estar ali a propaganda, ou não estar de todo, é indiferente.

Ademais, não há uma mensagem curta e objectiva, como sucede com a CDU, que fique na cabeça das pessoas. A relação de cores é confusa em alguns casos, e demasiado arriscada, dado que a cor de fundo de alguns cartazes (como o verde do candidato a Sobreda e Charneca da Caparica) mitiga qualquer inscrição a cor-de-rosa. A ideia de juntar também o quadrado cor-de-rosa com a união de freguesias respectiva seleccionada não funciona, é dispensável e só torna mais confuso o que devia ser simples. Finalmente, as fotografias de alguns candidatos são, na minha opinião, mal escolhidas. Na verdade, o PS Almada tem abusado das fotografias espontâneas.


No caso em apreço, o candidato está de perfil, não olha para a objectiva, a fotografia não o favorece, não se consegue perceber a que é que se candidata, o sítio de internet do Partido não é perceptível, o nome não se destaca como se pretende e o próprio símbolo do Partido está demasiado pequeno. Em suma, quem se cruza com um MUPI destes só lê «A Força de Tod@s», mas tem de parar, ver com mais atenção e processar para perceber o que está diante de si. E, aqui, o MUPI do PS falha em quase toda a linha.


Eis outro exemplo de um mau MUPI. As fotografias espontâneas não funcionam. Praticamente não se consegue ler nada, a candidata faz pandã com as cores do Partido, o que praticamente a impede de destoar da fotografia escolhida - aliás, parece apenas uma das pessoas do conjunto fotografado -, nem o lema de campanha nem o símbolo do Partido se destacam e, desarmonizando a linha seguida para os restantes MUPI e outdoors, apresenta contacto móvel e e-mail da candidata. A iniciativa saúda-se, mas o tamanho microscópico das letras, as cores escolhidas e a altura a que é afixada a propaganda são alguns dos factores que concorrem para a condução do PS a um desastre que são estes MUPI.

No mais, tanto PS como PSD apostaram em outdoors de 2x1,5, sendo, uma vez mais, a escolha do PS infeliz ao abusar nos motivos e nas fotografias propriamente ditas. Os erros são exactamente os mesmos, mudando as fotografias, raramente bem escolhidas. Já os candidatos sociais-democratas fazem uma opção mais simples e, no meu entender, mais acertada: fundo branco, fotografia bem visível do candidato à Junta de Freguesia, o desenho de fundo idêntico à dos outdoors de António Neves, os logótipos e a mensagem (por vezes demasiado enigmática). Embora eu não tenha experimentado, se funcionar, a ideia de apresentar um código QR está original e bem pensada, ainda que se questione quantas pessoas o experimentarão. Já o problema de usar tela sem protecção traseira está no facto de a melhor visibilidade do cartaz depender da posição do sol.

Fotografia retirada da página de Facebook da candidata.

A procissão ainda vai no adro e os Partidos continuam a investir no contacto indirecto com os cidadãos, utilizando para este efeito os outdoors e os MUPI. As conclusões que se podem fazer são três: o PS investe muito, mas mal, na propaganda de rua; a CDU continua a mostrar como se fazem as coisas de forma simples e eficaz, só não aprende quem não quer; o PSD faz algum esforço para acompanhar a corrida dos dois primeiros, dúvidas subsistindo sobre se será o suficiente para conseguir, pelo menos, melhorar a representação nos órgãos municipais e de freguesia.

2 comentários:

David disse...

Na minha localidade fizeram o favor de tapar uns sinais luminosos com um cartaz desses pendurado num poste à frente do sinal....

É impossível não se terem apercebido mas já lá vão 4 dias sem o mudarem!

Nem tudo Freud explica disse...

Se isso acontece, a propaganda tem de ser removida, uma vez que, segundo o CNE, esta publicidade é permitida mas não pode pôr em risco a segurança de ninguém, nem obstruir sinalização de trânsito.