sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Autárquicas'2013: análise ao programa eleitoral do Bloco de Esquerda para Almada

Na mesma noite dos copos na Costa da Caparica, elementos afectos ao Bloco de Esquerda (BE) entregaram-me um panfleto, em formato A3 dobrado ao meio, mas em papel reciclado, da candidatura de Joana Mortágua à Câmara Municipal de Almada:


Abrindo o panfleto, encontramos os nomes e fotografias dos candidatos à Câmara Municipal, dos 6 primeiros à Assembleia Municipal, dos cabeças-de-lista às Juntas de Freguesia e da Mandatária, juntamente com o programa eleitoral do Partido:


Uma vez que o sítio de internet apresenta pouca ou praticamente nenhuma informação, que não são inseridos panfletos em caixas do correio e que até os folhetos referentes a algumas freguesias têm informação incompleta e a disposição dos candidatos em formato caderneta de cromos incompleta (apresenta algumas fotografias e noutras deixa um rectângulo em branco), este panfleto acaba por ser a verdadeira fonte de informação sobre o programa eleitoral do BE para Almada.

Neste sentido, o BE começa por dar destaque aos feitos conseguidos no último mandato, mais concretamente na apresentação da proposta de «um Fundo de Emergência Social e uma dotação financeira para o programa de opções participadas de recuperação de bairros municipais». No mais, o programa do BE congrega medidas propostas pelo PS (as destinadas à acção social e a redução do Imposto Municipal sobre Imóveis) e da CDU (defesa dos serviços públicos essenciais) e defende o reforço do Programa de Emergência Social e a requalificação da habitação municipal (PS, PSD e CDU defendem o mesmo).

Simultaneamente, faz associações de ideias no mínimo estranha ao defender, a seco, que reabilitar o Cais do Ginjal, a Mutela, as zonas ribeirinhas e outros espaços abandonados é uma forma de criar emprego e, para estimular a economia, sugere... a criação de redes de apoio com as escolas e com as associações para combater a pobreza e a exclusão social. No mínimo, difícil de entender a visão do BE para Almada.

Excluindo raras medidas concretas como o estacionamento gratuito para quem utiliza os transportes públicos e a reposição dos cacilheiros nocturnos e dos horários do Porto Brandão e da Trafaria, até o alargamento da rede Flexibus e o prolongamento da linha do Metro Sul do Tejo são vagos. Afinal, até onde pretende o BE expandir estas redes? Nada se diz, apenas se pretende aumentar e os pormenores logo se vêem. Também não se percebe o que tem «o fim dos lucros ganhos pelos privados com as portagens da Ponte 25 de Abril» a ver com as autárquicas e como é que a Câmara Municipal, a Assembleia Municipal ou as Juntas de Freguesia podem ter intervenção neste processo.

E mesmo na cultura e no ambiente, áreas que o BE tanto gosta de reivindicar como suas, a candidatura de Joana Mortágua propõe a «dinamização dos espaços» e a «aposta na diversidade», bem como a «ocupação das ruas para actividades culturais», «garantir o acesso universal» à água e «a promoção de espaços e corredores verdes», seja lá isso o que for.

Neste quadro, o BE concentra um conjunto de ideais defendidos por qualquer cor política e tenta disfarçá-los de medidas propostas pelo Partido para Almada, quando de propostas nada têm. Na verdade, o BE muito pouco ou nada propõe, resumindo o seu curto programa eleitoral a criticar a actual situação do País, o que revela uma incapacidade gritante para ajudar (pelo menos) a dinamizar o concelho de Almada no que quer que seja. O programa eleitoral do BE tem pouco de programa eleitoral e pode resumir-se a duas palavras: confusão e desordem. Fica a sensação que este (pseudo)programa foi feito em cima do joelho para desenrascar de tão fraco que é e mal feito que foi. É assim que o BE pretende melhorar a votação de 2009?

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