terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pais Jorge de regresso à base

Continuam a tomar-nos como idiotas neste País. Pais Jorge tomou posse como Secretário de Estado do Tesouro há tão poucos dias que ainda é possível beber os restos do champanhe servidos nos copos do serviço de catering responsável pela tomada de posse. Como, em Portugal, os governantes gozam de 1 ano de sabática após a tomada de posse, pois só começam a governar 1 ano depois de justificarem todas as maroscas em que participaram e julgaram que ninguém se lembrava delas, Pais Jorge ainda nem teve tempo de escolher a secretária manuelina e o quadro Monet que vão decorar o seu gabinete e já está de malas feitas para regressar à origem.

O curioso no caso de Pais Jorge é que, tal como todos os outros, julgou que ninguém ia vasculhar o seu passado com as swaps e prosseguiria o seu caminho como se nada tivesse acontecido. Quando foi apanhado na ratoeira, ainda tentou maquilhar o passado dizendo que «participava em dezenas, porventura, mais até do que uma centena de reuniões por ano» e não se recordava de alguma vez ter estado presente em alguma com o Governo - até porque nos dias que correm negociar com o Governo é o mesmo que negociar com o merceeiro ou com o taxista.

Pior, nem sequer se lembrava de ter negociado com José Sócrates, que era Primeiro-Ministro na altura, uma vez que, como todos nós sabemos, a profissão de Primeiro-Ministro é das mais saturadas no nosso País - julgo que a rácio em Portugal é de 1 Primeiro-Ministro por habitante -, sendo perfeitamente plausível que Pais Jorge não se lembre se negociou com o Primeiro-Ministro José Sócrates, com o Primeiro-Ministro João Paulo Dias ou com a Primeira-Ministra Ana Dias.

Parece que vale a pena comprar Memofante, pois o homem, que certamente experimentou este complemento, já se lembra de ter estado em reuniões com o Governo de José Sócrates e, pelos vistos, até esteve em três (!!), nas quais tentou vender swap ao Executivo. Curiosamente, o Governo de então não caiu no engodo.

Perante tudo isto, deixo algumas perguntas que até tenho medo de saber as respostas:
- Não há ninguém, no meio de aparelhos partidários tão vastos e organizados, que faça uma pesquisa mínima sobre as pessoas que os partidos querem colocar em cargos políticos, de modo a assegurar-se que essa pessoa tem um percurso de vida relativamente imaculado?
- O que anda o CDS a fazer metido com gente desta numa coligação sem qualquer sentido?

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