quarta-feira, 14 de agosto de 2013

O outdoor da coligação PSD/CDS/MPT em Lisboa (Fernando Seara)

Sinto-me no dever de criar um à parte na quase exclusividade dada às autárquicas em Almada, para me pronunciar sobre o cartaz da coligação liderada por Fernando Seara à Câmara Municipal de Lisboa. E sinto-me neste dever porque me cruzo inúmeras vezes com ele e não resisto a partilhar a minha opinião.


Este é o cartaz já «instalado» em várias zonas da capital. E, na minha opinião, uma das vantagens em fazer o cartaz chegar tarde assenta no facto de se ter mais tempo para analisar os dos restantes candidatos e tentar fazer melhor.

Neste sentido, julgo que o modelo de cartaz de Fernando Seara é o ideal para uma candidatura às legislativas - sendo este um cartaz semelhante, p.e., aos de José Sócrates - ou, mais ainda, à Presidência da República. Na verdade, este cartaz parece uma cópia das candidaturas de Cavaco Silva e de Manuel Alegre às Presidenciais.

Não será, no entanto, o formato ideal para umas eleições autárquicas. Aliás, até as cores das duas riscas ao pé da palavra Lisboa denotam um desfasamento com o fim do escrutínio a que será sujeito o candidato. Verde e vermelho, com o nome do candidato a amarelo, sob fundo verde são as cores da bandeira nacional. O que é certo é que nem um símbolo da cidade encontramos nestes cartazes. Rigorosamente nada que estabeleça um elemento de afinidade entre o cartaz da candidatura e o município. No limite, até poderíamos aceitar o verde de fundo se os riscos verde e vermelho fossem branco e preto, as cores do município a que se candidata. Talvez fizesse mais sentido acentuar estas duas cores e, bem conjugadas com o verde de fundo, estabeleceriam a associação entre os interesses do município e o interesse nacional.

Paralelamente, se, por outro lado, as dimensões do nome do candidato e do mote serão adequados, por outro lado, não se compreende o lema «Em Lisboa com os dois pés». O que pretende Fernando Seara? Responder aos que o acusam de estar envolvido em Sintra e nos programas televisivos, afirmando o candidato que estará exclusivamente dedicado à capital?  Ou pretende atacar António Costa por ser um possível candidato à liderança do Partido o que, consequentemente, o fará estar mais envolvido na agenda nacional? Se for algum destes casos, fará sentido utilizar um outdoor para «responder» ou «atacar» em vez de o aproveitar para propor medidas para a cidade? Ainda por cima, com a gestão de António Costa, custa a acreditar que o espaço do cartaz seja desperdiçado com guerrilhas e não com propostas que o permitam distanciar-se de um modelo de gestão que deixou muito a desejar e facilmente podia ser combatido. Vou mais longe. Fernando Seara podia pegar em medidas simples como a limpeza das ruas, a mobilidade, as obras municipais. São temas quase clichés mas que o destacavam de outra maneira que não «Em Lisboa com os dois pés».

Finalmente, um último reparo. A imagem do candidato também ocupa um espaço considerável - e, na minha opinião, ideal - no cartaz. Sublinha-se ainda como positivo o facto de estar numa pose descontraída e alheio ao formalismo de utilização de botões abotoados até ao pescoço, casaco e gravata, deixando ainda à mostra as mangas arregaçadas, procurando transmitir a mensagem de que haverá muito trabalho da sua parte. Contudo, a pose escolhida, apesar de descontraída, parece uma pose retirada do álbum de casamento, misturada entre as fotografias do candidato a segurar um telefone ou a mãe a dar-lhe um beijinho na bochecha.

Em suma, o cartaz podia ser mais feliz e até havia condições para isso. Quem chega tarde tem de surpreender. Pela positiva, se for possível.

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