segunda-feira, 29 de julho de 2013

Funcionários públicos: de onde vem tanta aversão?


Todo o discurso foi altamente ofensivo e dirigido aos funcionários públicos, levando-me a questionar de onde vem tanta aversão e ódio. Ignora Passos Coelho o facto de ter sido criada uma expectativa legítima há vários anos nas pessoas que hoje estão prestes a ser despachadas porque alguém que não sabe o que é viver como um português médio ouve meia dúzia de patacoadas e mitos - tal como a famosa senhora que gosta de brincar aos pobrezinhos na Comporta - e forma, a partir das histórias que lhe contam, a opinião típica dos ditadores insensíveis à população.

No entanto, é curioso que Passos Coelho afirme diga «o que qualquer sociedade desenvolvida faz» porque, como já vimos, os países mais desenvolvidos da OCDE têm uma rácio de funcionários públicos sobre a população activa que envergonha qualquer social-democrata que professa mitos de termos «funcionários públicos a mais». Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia, França, Reino Unido, Bélgica e Canadá têm, de longe, uma rácio significativa. Portugal continua a aproximar-se dos números de Turquia, Chile, México e Grécia.

Finalmente, Passos Coelho defende que «as pessoas que faziam aquilo que era menos importante têm que ser afectas a fazer outras coisas que são mais importantes e, se não for preciso tanta gente para fazer isso, essas pessoas têm de ir fazer alguma coisa para outro lado». É uma fábula muito bonita, esta, que teria tudo para dar certo nos longínquos anos em que a nossa taxa de desemprego era inferior a 5%. De facto, acredito que muitos funcionários públicos não estariam tão preocupados se pudessem abandonar o Estado e encontrar outra função para desempenhar. Contudo, como se pode facilmente constatar em todos os indicadores, em Portugal, é mais fácil vencer a lotaria do que encontrar um posto de trabalho.

Sem comentários: