sexta-feira, 5 de abril de 2013

Miguel Relvas: o Rei Midas ao contrário

Foi bom enquanto durou. 22 meses depois, Miguel Relvas reforçou o currículo. Quando alguém lhe der trabalho, não vai querer saber das cadeiras que frequentou nem das notas que tirou. Em vez de licenciado, bastará ler-se «Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares». Ainda assim, mais uma qualificação obtida num espaço de tempo mais curto do que seria expectável - os mandatos duram, por norma, 4 anos e não menos de 2. Relvas voltou a encurtar o caminho.

O mesmo que diz que norteia a sua vida «pela procura de conhecimento permanente» é o mesmo que diz que será «julgado pela história». Talvez o Ministério Público tenha uma palavra a dizer sobre isto. Até lá, Miguel Relvas viveu num mundo de fantasia, onde acreditou que o mundo era seu e podia controlá-lo como queria. Foram quase 2 anos em cheio. Cheio de erros, polémicas, trapalhadas, confusões e problemas. Tudo aquilo em que Relvas tocou, deu problemas, senão vejamos:
  • Privatização da TAP;
  • Privatização da RTP;
  • Organização do Território;
  • Finanças locais;
  • Sector empresarial local;
  • Lei Eleitoral e eleitos locais;
  • Silenciamento de jornalistas;
  • Envolvimento no escândalo das secretas;
  • Impulso Jovem;
  • Ida de José Sócrates para a RTP - que ainda pode sair caro ao PSD;
  • Falta confirmar se os 347 milhões dedicados à integração da comunidade cigana são mesmo da responsabilidade do seu Ministério.

É incrível como em tanto tempo se fez tanto e se fez tão pouco ou tão mal em simultâneo. Relvas tem mais perfil para lidar com as cliques locais, para os bastidores, para orquestrar pela calada, para movimentar peões. Talvez por isso tenha afirmado que se manterá longe da vida governativa, mas não da política. Relvas estará sempre presente. Passos Coelho deve-lhe tudo o que é hoje.

Curiosamente, foi na véspera da sua demissão que Relvas proferiu as palavras mais sábias que alguma vez proferiu enquanto governante. Durante a apresentação do seu famoso Embaixador para o Impulso Jovem, Relvas foi interpelado a propósito da eventual remodelação governamental, tendo respondido o seguinte: «mais importante do que uma remodelação governamental é uma remodelação de mentalidades». Sem dúvida. É imperativo mudar a actual política levada a cabo pelo Governo. E isto não se consegue com pessoas, mas com a mudança de mentalidades. Caso contrário, apenas se mudam as moscas.

P.S.: Compreendo que por respeito ao parceiro de coligação, o CDS opte por não atacar Miguel Relvas nesta altura. O que não compreendo são os discursos em defesa do ex-Ministro como se se tratasse de um sujeito honrado e exemplar.

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