quarta-feira, 27 de março de 2013

Pires de Lima e José Sócrates

António Pires de Lima teve declarações curiosas à Antena 1. Dias após praticamente se ter oferecido para suceder a Álvaro Santos Pereira, como Ministro da Economia, Pires de Lima eliminou publicamente todas as dúvidas relativamente à forma como CDS olha para a actual coligação com o PSD: o casamento com os sociais-democratas não tem qualquer valor e, antes da formalização do divórcio, o CDS corteja uma terceira entidade para com ela se unir no futuro. Foi o que fez Pires de Lima quando diz «o grande risco político é que António José Seguro, que é uma pessoa bem intencionada e séria, fique refém de Sócrates». Resta saber se a futura união será a dois ou um ménage a trois. O CDS parece disponível para qualquer uma das duas... desde que sustentem o seu modo de vida.

Para garantir que o futuro cônjuge é a irmã mais nova, ainda virgem e influenciável (como é o caso de António José Seguro) e não a irmã mais velha mandona e inteligente que não se importa de ficar para tia desde que mande (como é o caso de José Sócrates), Pires de Lima não perdeu a oportunidade de espicaçar Seguro de forma singela ao deixar no ar as suas dúvidas de «como é que Seguro vai resistir a mais este assalto à sua liderança» e, pior, afinal, Sócrates não pretende a Presidência, onde poderia conviver com Seguro Primeiro-Ministro, antes, quer mesmo destruir as ambições deste último. O CDS não quer é ficar muito mais tempo com a matrafona desbocada que não sabe sequer lavar um prato ou passar uma roupa a ferro (o PSD de Passos Coelho)!

Boa iniciativa de António Pires de Lima. Fica sempre bem a um rival (se o for) preocupar-se com o funcionamento interno e com o futuro do adversário. Veja-se que Pires de Lima até saúda uma alternativa ao actual Governo PSD/CDS. Convém é que António José Seguro leia as letras pequenas: o CDS já se revê numa alternativa a si próprio enquanto parte do PSD/CDS. E Pires de Lima lá estará na linha da frente para ver se à 4.ª tentativa chega a Ministro da Economia.

Sem comentários: