sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Quem disse que a política de comunicação do Governo não é eficaz?


Quem disse que a política de comunicação do Governo não era eficaz? 

No entanto, vejamos agora se a mensagem veiculada é verdadeira e adequada ao momento ora vivido.

I - Regressámos mesmo aos mercados?

Para além de todas as considerações publicadas por ATG no post anterior, vemos que:

(i) O "regresso" aos mercados foi uma ilusão já que esta emissão foi uma operação sindicada e não um verdadeiro leilão no mercado primário de obrigações;
(ii) Portugal já "regressou" aos mercados em Out. 2012, quando o IGCP fez uma operação de troca de dívida, adiando por dois anos o pagamento de 3,76 mil milhões de euros;
(iii) a dívida foi adquirida em 24% por Hedge Funds, quando a emissão de dívida espanhola realizada na 3.ª feira tinha tido uma percentagem de 4%. De seguida, vemos o dumping no mercado secundário, com as yields portuguesas a subirem (o que se revela irónico e revelador);

II –  Este “Regresso” aos mercados representa uma melhoria substancial da economia portuguesa?



Este regresso aos mercados, embora tenha aspectos positivos - especialmente se fosse utilizado como móbil para alterar a política económica do governo -, apenas nos mostra que temos mais capacidade para aceder aos mercados mas, do ponto de vista económico, temos hoje muito menos capacidade para pagar a dívida. Se a capacidade de cobrar impostos é o colateral para a emissão de dívida pública, os dados da execução orçamental evidenciam que contraímos mais dívida que nos vai custar bastante mais a pagar.

Mais financiamento para as empresas? Sim, mas apenas para as grandes empresas que podem aceder ao mercado da dívida e não para a generalidade das empresas que são o motor da economia portuguesa.

Se continuarmos nesta senda de destruição económica, apenas pioramos o outlook de curto e médio prazo da nossa capacidade de pagamento da dívida. 

III – Porquê agora?

Porquê este “regresso” aos mercados, porquê agora?

Por questões políticas, o Governo quis marcar a agenda mediática e lançar esta “grande” notícia, em conjugação com os resultados provisórios do défice. Num óptimo exercício de comunicação política, o Governo amortece as previsíveis repercussões do aumento dos impostos no início do ano e as possíveis declarações de inconstitucionalidade de alguma(s) norma(s) do OE.


Gaspar, o político (não o técnico) está de parabéns. 

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