domingo, 27 de janeiro de 2013

Carlos Mulas Granados: Robin Hood, herói em collants

Quando foi publicado o mais recente e famoso relatório do FMI encomendado pelo Governo a propósito da reforma do Estado, não hesitei em equipará-lo ao trabalho do Observatório para os Países do Sul da Europa, de Artur Baptista da Silva, mas, desta vez, liderado por Carlos Moedas ou António Borges. Os delírios ao longo daquelas 76 páginas só podem levar-nos a tal conclusão.

Não foi preciso muito tempo até que um dos seus autores desse provas da sua real capacidade. Segundo consta, Carlos Mulas Granados é um misto de Xerife de Nottingham com uma versão mais transformista e menos genial de Fernando Pessoa: se, oficialmente, defendia que se tirasse dinheiro aos pobres para dar àqueles que já têm q.b., Mulas perdia toda a sua compostura quando vestia umas collants, passava baton nos lábios e calçava saltos agulha, passando a encarnar a Amy Martin, uma influente colunista norte-americana que se opunha à austeridade.

Não sei se Mulas se inspirou na famosa britânica conhecida pela ebriedade permanente para baptizar o seu alter ego de Amy Martin, recorrendo à tradicional desculpa da bebedeira para exprimir pensamentos e reflexões que publicamente seriam mal recebidos pelos seus pares. Esta história de a sua esposa assumir as responsabilidades em nome do marido também me parece um pouco a história de quem escreve algo nas redes sociais de que se arrepende e depois diz que a conta foi vítima de hackers ou do irmão mais novo.

Porém, de uma coisa estou certo: O que sei, sim, é que o Governo encomendou um relatório para cortar a direito na despesa do Estado (mesmo a necessária) a um verdadeiro Robin dos Bosques, herói em collants para os fundamentalistas da austeridade. Este relatório do FMI tem tanta credibilidade quanto um contrato promessa celebrado por João Vale e Azevedo ou uma promessa eleitoral de Pedro Passos Coelho. Pelos vistos, ninguém aprendeu nada com Baptista da Silva.

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