sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

CDS vai ao beija-mão a Fernando Seara


Não consigo olhar com confiança para candidaturas que antes de o serem definem como principal missão a destruição dos planos de uma outra e, em vez de se apresentarem como alternativa e prepararem uma campanha nesse sentido, definem como plano A a colagem a terceiros como forma de chegar ao poder custe o que custar. Estas são as linhas gerais que conseguimos retirar da entrevista de João Gonçalves Pereira, Presidente da Comissão Política Concelhia de Lisboa do CDS-PP.

Esta entrevista é elucidativa, até porque ficamos a saber que, afinal, (i) Fernando Seara é «da área política do CDS», (ii) o mérito é uma questão secundária pois «temos de ter um candidato com notoriedade e que seja reconhecido pelos lisboetas» e, finalmente, (iii) já pouco falta para vermos o CDS de joelhos a implorar por uma coligação com Seara. Fica patente que o importante é tirar António Costa do poder e o CDS está disposto a fazer tudo para atingir esse fim, contentando-se mesmo em servir cafés aos vereadores do PSD - que é o que vai acontecer, excepto a João Gonçalves Pereira, que, caso a coligação vença as eleições, será vereador - desde que os dois juntos consigam derrotar o PS.

Se este é o discurso a 10 meses das eleições, dentro de no máximo 2 ou 3 meses veremos o CDS a assinar de cruz qualquer coisa que o PSD lhe proponha e que não exclua João Gonçalves Pereira do Executivo. Sempre pelo bem de Lisboa, pois claro. A sede de poder fala mais alto, a possibilidade de lá chegar é a verdadeira prioridade e o Partido perde personalidade. A começar desta maneira, não será surpresa se o PSD conseguir fazer gato-sapato do CDS... para não variar. Ainda ninguém aprendeu a lição ou já a terão aprendido mas resignaram-se. Lutar por ser uma verdadeira alternativa dá trabalho, exige vontade e competência e é mais fácil ir à boleia dos outros para conseguir cumprir objectivos de carreira pessoais. À volta, o harém vai aplaudindo e agitando as bandeiras. Acabam por fazer uma campanha em favor do homem e não do colectivo.

No fundo, é por estas e por outras que o CDS dificilmente conseguirá ultrapassar a linha dos 12% e será, para sempre, o partido muleta, dos barões subalternos, que dá maiorias para os outros governarem. E temo que muita gente se contente com este quadro, até porque, enquanto o Partido for pequeno, maiores serão as possibilidades de uma pequena elite garantir que é a corrente dominante que controla uma filial do PSD mascarada de CDS.

Esta forma de estar na política e na sociedade envergonha-me e alguns dos mais ilustres homens e mulheres que este País já conheceu ao longo da sua história devem estar a dar voltas aos respectivos túmulos com esta prova de subserviência e derrotismo. Afinal, se a linha seguida pelo actual CDS fosse a seguida pelos que marcaram a nossa história, provavelmente a esta hora falaríamos todos castelhano ou árabe.

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