quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paulo Portas: chefe, mas pouco


Achei curioso que Passos Coelho se referisse a Paulo Portas como «o chefe do partido de coligação». Pouco faltou para tratar Portas como «o outro».

A polémica instalada pelo Público relativamente a uma possível relegação de Paulo Portas para terceiro plano não tem qualquer razão de ser e mais parece uma guerra de ciúmes entre duas pretendentes que disputam o mesmo noivo. Tanto Portas como Vítor Gaspar são Ministros de Estado, o que os coloca em pé de igualdade para substituir o Primeiro-Ministro. E, se não estou em erro, ainda recentemente Passos Coelho assumiu que quem o substituiria era Vítor Gaspar. Também na estrutura hierárquica do Governo, o Ministro das Finanças surge acima do Ministro dos Negócios Estrangeiros. E, não é surpresa para ninguém, quem exerce a tutela das Finanças é, por via do costume, o número 2 do Executivo.

Assim, ao tratar Portas como «o chefe», reforça-se a sensação de que, para o PSD, o CDS é apenas uma tribo de índios que não tem direito a opinião e só tem de votar a favor das suas propostas. E de nada adianta a Ribeiro e Castro dizer que «o líder do CDS é co-Primeiro-Ministro». Na verdade, duvido que alguma coisa mudasse se Paulo Portas for o n.º 2: o CDS não tem qualquer peso nem no Governo nem no Parlamento e só serve para formar maiorias.

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