segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Eleita a primeira mulher Presidente do Parlamento Regional dos Açores: so what?

Tem sido dada alguma atenção, um pouco por toda a comunicação social, o facto de ter sido eleita a primeira mulher Presidente do Parlamento Regional dos Açores. Feito histórico? Devia ser uma notícia circunstancial, mas não é. Porquê? Teremos de volta os pensamentos tipicamente feministas que tentam veicular a ideia de que vivemos numa sociedade machista que não atribui competências às mulheres? Em abono da verdade, é-me completamente irrelevante ter uma mulher na Presidência da Assembleia da República ou da Assembleia Legislativa Regional dos Açores. É como ter mulheres em cargos não executivos da administração de empresas. Estão lá, é certo, mas o seu âmbito de intervenção é reduzido.

Pessoalmente, sinto-me envergonhado por ainda ver estas notícias, como se vivêssemos numa sociedade tipicamente muçulmana que não reconhece a mesma legitimidade a homens e mulheres. De facto, reconhecemos. Mas, ainda que os homens não o reconhecessem, as mulheres só se podem culpar a si próprias, senão vejamos: (i) as mulheres são maioria no nosso país e (ii) temos mais mulheres diplomadas do que homens. O que falha?

Quantas mulheres vemos candidatas a lideranças partidárias? Quantas mulheres vemos candidatas à liderança de organizações que não dependam da boa vontade dos homens ou de listas únicas para chegarem aos lugares? Muito poucas. Será a sociedade que é machista ou serão as mulheres portuguesas que ainda vivem muito na dependência do homem e não se chateiam nada que este lidere, comande e as leve a um lugar de relevo? Vale de alguma coisa ter uma lei da paridade quando a própria Mulher parece não fazer muita força para vingar, acomodando-se até à iniciativa masculina?

Sinceramente, estas imposições de quotas não trazem nada de inovador à nossa sociedade a não ser obrigar ao cumprimento de números e segregar ainda mais a população, impondo rótulos e continuando a diferenciar, a própria lei, homens e mulheres, da mesma forma que os média rotulam mais novos e mais velhos, portugueses até à terceira geração e portugueses de outras origens, homossexuais de heterossexuais, etc. Por este andar, pouco falta para que tenhamos a diferenciação entre loiras, morenas e ruivas ou altas e baixas e ainda magras e gordas. Estas leis e estes rótulos são infelizes, prejudiciais e em vez de incentivarem Seres Humanos a destacarem-se entre os seus pares, levam-nos a sentirem-se com características que os inferiorizam e a colarem-se à sombra de rótulos que lhes podem garantir lugares que de outra forma têm de se esforçar para conquistar.

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