quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Passos Coelho e Paulo Portas: Dr. Jekyll e Mr. Hyde

Por instantes parecia que as televisões estavam a transmitir imagens de Passos Coelho e Paulo Portas na oposição: «o Orçamento não é equilibrado e tem elementos inaceitáveis», «este Orçamento será rejeitado nos moldes actuais», etc. Não, isto são queixas recentes do Primeiro-Ministro e do Ministro dos Negócios Estrangeiros perante a proposta de orçamento europeu para 2014-2020. É uma sensação de déjà vu. Os mais ricos não querem financiar os mais desfavorecidos e os que mais contribuem querem reduzir as verbas para aqueles que gastam mal. Por instantes lembrei-me das palavras motivadoras de Passos Coelho para justificar cortes contra os mais vulneráveis como alertar que o desemprego é uma oportunidade. Lembrei-me também dos bifes e das papas da Isabel Jonet.

Relativamente a Passos Coelho, era bom que alguém na UE lhe devolvesse a linguagem que lhe  conhecemos no plano interno. Vejam bem este sindicalista de esquerda a contestar o Orçamento. Portugal não pode continuar a viver acima das suas possibilidades e depender de fundos comunitários como os preguiçosos dos desempregados e dos idosos das respectivas pensões. Se este país não produz riqueza, tal como os pobres e os desempregados, temos de reduzir a «despesa protegida» prevista nos Tratados, revê-los e reflectir sobre que modelo de Estado Social pretendemos para os países da União Europeia! Depender de fundos é que não pode ser! Passos, vê este orçamento como uma oportunidade para sair da pobreza e se algo correr mal, o país emigra para outra união qualquer.

Já relativamente a Paulo Portas a resposta é mais simples. Basta substituir algumas palavras num recente discurso de Paulo Portas: Portugal tem o peso [na UE] que os Estados-Membros lhe deram. Sendo uma das mais fracas forças políticas e, acreditando nas instituições, Portugal sublinha que, sobretudo numa situação de emergência europeia, todos têm um contributo a dar para assegurar a estabilidade política, o consenso comunitário e a coesão social na União Europeia. Não contribuiremos para uma crise política e votaremos a favor deste orçamento!

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