segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Mitt Romney quer mudar as leis da Física; Passos Coelho quer mudar as leis da Economia

Recentemente, o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos da América, Mitt Romney, mostrou a sua preocupação (e até indignação) com o facto de não ser possível abrir as janelas dos aviões, como se faz, por exemplo, nos automóveis. Em jeito de ironia, já há quem diga que esta indignação pode ser interpretada como uma revolta contra uma lei (da Física) que impedirá o crescimento das empresas - que ainda não podem contrariar as limitações impostas pela Física - e que o próprio Mitt Romney se propõe a acabar com esta espécie de «lei socialista» para proteger o interesse dos agentes económicos.

Em Portugal, a história não é muito diferente. Parece óbvio para qualquer pessoa com dois dedos de testa e com conhecimentos mínimos de Economia - nem que seja pelo contacto diário com a realidade - que pessoas com mais impostos sobre os salários, são pessoas com menos liquidez. Bens e serviços com mais impostos, são bens e serviços menos acessíveis. Tudo isto junto resulta numa quebra grosseira do poder de compra dos consumidores e, como todos nós sabemos, sem consumidores, a economia praticamente não existe dado que: sem consumo, não há compra de bens e serviços; sem aquisição de bens e serviços, as empresas não lucram; sem lucros, as empresas não podem fazer face aos custos de produção; e sem custos de produção as empresas despedem e/ou encerram. Aprendi isto quando frequentava o 10.º ano de escolaridade. Tempos em que a escola pública ainda tinha qualidade - hoje, se não o tem, não será por culpa dos professores, certamente.

Esta é a lei da Economia. Ainda assim, Passos Coelho insiste em querer suprimir esta lei, que não é revogada nem com teimosia nem com autismo ou incompetência. David Ricardo e Adam Smith devem dar voltas no túmulo de cada vez que ouvem uma nova proposta de Lisboa para estimular a economia nacional. Mas, mais preocupante ainda, é concluir que a visão irónica dado a um alegado socialismo da lei da Física coincide com a visão real utilizada por elementos ligados ao poder político português para radicalizarem militantes mais fervorosos contra o óbvio: infelizmente, não me canso de ouvir personalidades dos partidos da coligação dizerem que aquilo que é, na verdade, a lei da Economia trata-se, afinal, de uma ideia de Esquerda, como forma de convencerem os respectivos militantes de que «é possível abrir as janelas do avião e só assim se evitam males maiores a bordo». Sigam convencidos que este é o caminho, batam palmas e proponham-se a revogar a lei da Economia. Mas depois não se admirem se ao abrirem as janelas acabarem expelidos a meio de um qualquer voo com direcção a... nenhures!

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