terça-feira, 23 de outubro de 2012

Daniel Campelo e os caçadores conservacionistas

Daniel Campelo, o célebre «queijo limiano» que exerce actualmente funções como Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, deu hoje uma entrevista curiosa ao Público, na qual afirma «A caça é uma das actividades mais antigas do mundo e é uma das mais antigas na floresta. Um caçador é obrigatoriamente um bom conservacionista. A caça, se for bem gerida e bem ordenada, é uma actividade perfeitamente enquadradora na exploração da floresta. É por isso que digo que não há conservação possível sem o envolvimento desses agentes. O maior programa em curso, o de reintrodução do lince, só tem possibilidade de ter sucesso se houver um compromisso entre os agricultores, os agentes florestais e os caçadores. A caça tem uma receita potencial muito forte. Há concelhos que vivem muito à custa da caça e dos caçadores.»

Ora, esta visão é inspirada, em grande parte, nos donos de ranchos do Texas que fomentam a caça a espécies que estão em vias de extinção em África, mas cujas colónias abundam em solo texano. Um desses exemplos foi tornado público pelo programa 60 Minutes da CBS a propósito de 3 espécies de antílopes que se multiplicam graças ao investimento feito pelos donos de ranchos texanos que permitem que caçadores abatam alguns animais em troca do pagamento de um valor pecuniário que servirá para cuidar dos animais e permitir que estes se multipliquem. Deste modo, alegam que conseguem garantir a continuidade de cada espécie e os caçadores praticam o seu desporto ao mesmo tempo que os donos dos ranchos garantem lucros.

Se é correcto sacrificar alguns espécimes em nome da salvação de toda uma raça - prática que, de certa forma, garante que espécies em vias de extinção ainda existam -, deixo à consideração de cada um. Mas questiono se a moda pega aos mais variados sectores e um dia destes não teremos Seres Humanos submetidos a torturas, tiro ao alvo, entre outras práticas, em troca da salvação de algumas espécies em dificuldades. A título de exemplo, lembro-me dos sem-abrigo, dos residentes em bairros de lata, minorias, ou, porque não mesmo, os portugueses e os gregos, a braços com uma dívida interminável. Alguém aceita sacrificar-se pela sua espécie?

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