domingo, 21 de outubro de 2012

As 4 estações de António Pires de Lima

António Pires de Lima é, actualmente, empresário e Presidente do Conselho Nacional do CDS-PP. Apesar de ser assediado pelos órgãos de comunicação social para se pronunciar sobre a situação do País, convém não confundir António Pires de Lima com o pai (António Pais Pires de Lima), antigo Bastonário da Ordem dos Advogados, ou com o Professor Fernando Andrade Pires de Lima, que, entre um tão rico currículo, integrou a Comissão Redactora do Código Civil de 1966 e foi Ministro durante o Estado Novo.

O brilhantismo destes dois juristas não se confunde com o economista e mestre em administração de empresas que denota uma crise de identidade inexplicável. Compreendo que na vida mudemos de opinião sobre os mais variados assuntos, mas chega a ser assustadora a frequência com que António Pires de Lima muda de opinião sobre a mesma matéria. Na verdade, questiono se António Pires de Lima tem mesmo «opinião» sobre o tema da austeridade (quiçá também sobre outros). Aquilo a que muitos chamam «opinião», e devia ter um mínimo de coerência ou duração - nem que sejam dois dias -, em Pires de Lima varia ao mesmo ritmo com que muda o estado do tempo.

Na verdade, as várias oscilações de António Pires de Lima sobre o tema austeridade mais se assemelham à instabilidade meteorológica em Portugal. De facto, a sua opinião ilustra, na perfeição, as 4 estações do ano sob a forma neurológica:
  • Hoje, alerta amarelo, com persistência de valores baixos de temperatura e vento forte na abordagem ao aumento de impostos e nas terras altas a norte do rio Tejo, com maior incidência sobre o Largo Adelino Amaro da Costa;
  • Amanhã, céu pouco nublado ou limpo com subida da temperatura máxima na ordem dos 20 graus na austeridade, o que poderá trazer algum desconforto térmico aos militantes centristas que não apreciam a mudança repentina do estado do tempo;
  • Terça-feira, nevoeiro matinal e forte agitação marítima por influência de um anticiclone a noroeste dos Açores e depressão cavada perto da Assembleia da República, o que gerará ventos fortes passíveis de abanar a coligação;
  • Quarta-feira, prevê-se uma descida das temperaturas mínima e máxima em 6 graus, devendo ainda ocorrer curtos períodos de chuva sobre o brutal aumento de impostos, terminando o dia com céu limpo e uma ligeira brisa, podendo mesmo avistar-se o arco-íris na costa vicentina, ilustrando a aliança entre PSD e CDS.


Esta mudança do estado do tempo tem sido identificada ao longo dos últimos meses, senão vejamos as declarações de António Pires de Lima:


Pergunto: o que vai Pires de Lima pensar amanhã? É isto a Democracia Cristã? Com quem tem o CDS-PP um compromisso: com os eleitores (com os portugueses) ou com o Governo? Onde estão a coerência e as promessas eleitorais? Porque motivo enviou Paulo Portas uma carta aos militantes a dizer que era contra o aumento de impostos?

Enfim, será por estas e por outras que não só Pires de Lima nunca será doutrina e um político que ficará para a história como o CDS se deve preparar para mais uma travessia no deserto... esta, sem fim à vista.

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