sábado, 7 de julho de 2012

Miguel Relvas: 50 perguntas que deviam ter resposta

Já muito se disse e escreveu sobre o percurso académico de Miguel Relvas. Já todos sabemos que algumas instituições de ensino superior privado são prova clara que a abertura dos cursos universitários ao cidadão comum, no pós-25 de Abril, não tem sido feita com o zelo e o cuidado necessários para que não se passe de uma área fechada e reservada às elites para uma verdadeira anarquia onde vale um pouco de tudo para se garantir o acesso à licenciatura, até consegui-la sem frequentar aulas!

Na minha singela opinião, o objectivo do ensino superior não deve ser a mera obtenção de um diploma. Mais do que isso, a frequência de um curso superior deve servir para adquirir formação numa determinada área, utilizando-se esses conhecimentos para o exercício de uma determinada profissão ou, caso não seja este o fim pretendido, para cultura geral, por mero gosto por uma temática. No entanto, olho com estranheza para aqueles que, como dizia ontem Vasco Pulido Valente no Público, querem um curso para deixarem de ser tratados por «sr. Relvas» e passarem a ser chamados «dr. Relvas» pelo empregado do café da rua onde vive, pela funcionária do Parlamento ou por um qualquer taxista. Até pode ser assim, mas que ao menos tentem justificar minimamente o título adquirindo algum conhecimento através da frequência das aulas, da leitura dos manuais e da realização de provas que atestem o conhecimento adquirido. O próprio «lapso» a propósito da frequência de um 2.º ano de Direito demonstra o pretensiosismo de Relvas - quer mostrar aos outros que tem e é algo que não corresponde à humilde verdade. Trata-se de mais um wanna be da nossa praça.

O curioso no meio disto tudo é que a Universidade Lusófona parece reconhecer a sua licenciatura, mas o próprio Relvas sente vergonha no seu «percurso» ao esconder que é «licenciado» em Ciência Política e Relações Internacionais: no perfil do próprio que consta do site do Governo, nunca é feita qualquer referência às suas habilitações académicas.

Agitar os ombros e virar as costas desvalorizando a questão da licenciatura de Relvas, como faz Passos Coelho, parece-me uma escolha infeliz. Afinal, eu, pelo menos enquanto português, faço questão de saber se aquele que me governa é minimamente sério ou não. Mentir e trapacear licenciaturas parece-me motivo suficiente para esclarecer o problema.

Independentemente do que está aqui em causa com a sua licenciatura, julgo que importa responder a algumas questões sobre todo este processo a bem da verdade, nomeadamente:
1- Em que data propôs Miguel Relvas a avaliação do seu currículo profissional à Universidade Lusófona?
2- Quem o propôs? Foi o próprio directamente ou um terceiro em seu nome?
3- A quem foi feita a proposta?
4- Em que local foi feita a proposta?
5- Em que data foi decidida a atribuição de equivalências a Miguel Relvas?
6- Quem participou na tomada de decisão?
7- Em que data foi comunicada a decisão a Relvas?
8- Foi essa comunicação feita directamente ao próprio ou a terceiros?
9- Quanto teve de pagar Relvas para que o seu currículo fosse avaliado?
10- Onde efectuou esse pagamento?
11- Em que data o fez?
12- Quem o fez?
13- A conclusão da cadeira de Ciência Política e Direito Constitucional, na Universidade Livre, foi tida em conta no processo de atribuição de equivalências? Se sim, como se explica que a tenha concluído com 10 valores e a Universidade Lusófona lhe tenha atribuído nota de 11 valores às cadeiras «Direito Político-Constitucional» (1.º ano), «Epistemologia da Ciência Política» (1.º ano), «História das Ideias e Teorias Políticas - I» (1.º ano), «Partidos Políticos e Sistemas Eleitorais - I e II» (2.º ano)?
14- Como se explica que Miguel Relvas tenha obtido nota de 11 valores a «História das Ideias e Teorias Políticas - I» e 10 valores a «História das Ideias e Teorias Políticas - II»?
15- O que relevou para a atribuição destas notas, ambas resultantes de equivalências?
16- Afinal, que experiência tem Miguel Relvas para lhe ter sido dada equivalência a 32 de um total de 36 cadeiras do curso de Ciência Política e Relações Internacionais?
17- Se a experiência como parlamentar foi tida em consideração, as notas de 10 e 11 valores que lhe foram dadas significam que a Universidade Lusófona considerou que Relvas não foi assim tão bom deputado quanto deveria?
18- Que critério usa a Universidade Lusófona para traduzir a experiência no Parlamento em valores e cadeiras?
19- Porque motivo foi dada equivalência à cadeira de «Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais - I» (3.º ano) e não à cadeira de «Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais - II» (3.º ano)?
20- Em que datas foram realizadas as provas de «Introdução ao Pensamento Contemporâneo» (1.º ano), «Teoria do Estado, da Democracia e da Revolução» (2.º ano), «Quadros Institucionais da Vida Económico-Político-Administrativa» (3.º ano) e «Geoestratégia, Geopolítica e Relações Internacionais - II» (3.º ano)?
21- Onde foram realizados os exames a estas cadeiras?
22- Quem esteve presente (docentes e alunos) no local da realização dos exames? Quem os corrigiu?
23- Quem foram os professores de Miguel Relvas às cadeiras atrás referidas?
24- Quantas vezes contactou Miguel Relvas com os docentes das 4 cadeiras?
25- Como teve Miguel Relvas conhecimento da matéria que devia ser estudada para a realização dos exames às 4 cadeiras?
26- Que exames foram feitos a Miguel Relvas? Existem enunciados e folhas de respostas dadas pelo então aluno? Quem preparou os exames? Foram os mesmos exames que outros alunos fizeram?
27- Em que data foram publicadas as notas de Miguel Relvas?
28- A quantas aulas foi Miguel Relvas?
29- Quem foram os colegas de Miguel Relvas?
30- Porque motivo obteve Miguel Relvas as notas de 10 valores às 4 cadeiras intituladas «Língua Portuguesa», de 1.º e 2.º ano?
31- Em que data se propôs Miguel Relvas aos 4 exames que devia realizar?
32- Quanto pagou pela inscrição às 4 cadeiras?
33- Onde e de que forma efectuou essa inscrição?
34- Quanto pagou Miguel Relvas por todo este processo?
35- Que cadeira(s) ministrou Feliciano Barreiras Duarte, actualmente Secretário de Estado Adjunto do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, na Universidade Lusófona desde que lá é docente?
36- Que cadeira(s) ministrava e que cargos desempenhava Feliciano Barreiras Duarte na Universidade Lusófona à altura da proposta de reconhecimento de equivalências por Miguel Relvas?
37- Que contacto teve Feliciano Barreiras Duarte com todo este processo?
38- Feliciano Barreiras Duarte alguma vez foi professor de Miguel Relvas?
39- Além das ligações ao Partido Social-Democrata, o que mais têm em comum Feliciano Barreiras Duarte e Miguel Relvas?
40- Porque motivo omite Miguel Relvas as suas habilitações académicas no sítio do Governo e também ao exterior?
41- Porque motivo não respondeu Miguel Relvas às solicitações que o jornal «O Crime» lhe fez para esclarecer a sua licenciatura?
42- Porque motivo não respondeu a Universidade Lusófona às solicitações do jornal «O Crime»?
43- Porque motivo a Universidade Lusófona se remeteu ao silêncio até esperar que Miguel Relvas se pronunciasse sobre a questão da sua licenciatura?
44- Porque motivo Miguel Relvas nunca frequentou um estabelecimento de ensino superior até terminar um curso, como faz a esmagadora maioria dos outros estudantes e trabalhadores estudantes?
45- Porque não frequentou o curso de 3 anos da Universidade Lusófona?
46- O que pretendia verdadeiramente Miguel Relvas ao inscrever-se na Universidade Lusófona?
47- Porque motivo escolheu Ciência Política e Relações Internacionais e não outro curso?
48- Porque motivo escolheu a Universidade Lusófona?
49- Que critérios pesaram na escolha por esta universidade?
50- O que conseguiu Miguel Relvas obter, verdadeiramente, com este diploma?

1 comentário:

Minda disse...

Sinceramente, a mim pouco me importa se Miguel Relvas é ou não licenciado (o grau académico não é requisito para o exercício de cargos políticos). Mas já me incomoda, e muito, que tivesse andado a mentir sobre o seu percurso académico e a permitir-se usufruir de benefícios de ética duvidosa (já no direito romano se ensinava que: nem tudo o que é lícito é honesto, nem tudo o que é legal é moral), pois mostra a sua falta de caráter... e um político sem escrúpulos a esse nível não é uma pessoa de confiança, logo não merece ocupar um lugar de responsabilidade governativa.

Por isso, tomei a liberdade de fazer minhas este conjunto de perguntas e coloquei uma ligação para este artigo no meu blogue, no artigo «1+2+1=0» sobre o mesmo assunto.

Parabéns pela clareza da exposição!