terça-feira, 31 de julho de 2012

Novamente a pequenez mental portuguesa e as Olimpíadas

Ontem escrevi um artigo sobre a pequenez mental portuguesa, a forma como os atletas são protegidos, tal como as crianças, e como se criam pessoas e atletas entre o mediano e o medíocre, salvo raras excepções. Hoje ocorreram dois exemplos da diferença gritante que existe entre algumas mentalidades estrangeiras e a portuguesa, senão vejamos:
  • Após o impressionante resultado que lhe valeu o ouro olímpico e os recordes olímpico e mundial nos 400 metros estilos, a chinesa Shiwen Ye, de apenas 16 anos, foi alvo de fortes críticas e acusações que apontavam para a dopagem da nadadora. Apesar da forte campanha lançada contra si, hoje, quando questionada sobre o que pensava de tudo o que se dizia sobre ela, Ye responde com um simples «It's ok, it didn't affect me» e, ao final do dia, nova medalha de ouro e novo recorde olímpico nos 200 metros estilos. Recordo que, independentemente da nacionalidade, estamos a falar de uma adolescente que completou 16 anos há poucas semanas;
  • Nas eliminatórias dos 200 metros mariposa, a portuguesa Sara Oliveira, de 26 anos, terminou a sua participação em 24.º lugar num total de 28 participantes. Fez 4 piscinas, esteve pouco mais de 2 minutos dentro de água e regressou a casa com um tempo pior do que aquele que fez 4 anos antes (este pormenor à consideração daqueles que acreditam piamente que umas braçadas numa piscina olímpica desenvolve verdadeiramente um atleta). O pior na participação de Sara Oliveira nem é o 24.º lugar (que até é demasiado mau), mas o desabafo feito a seguir ao resultado: «A pressão para nós aqui é muito grande. Andamos quatro anos a trabalhar e chegamos aqui e somos vistos por todos os portugueses (...) aqui parece que me sinto um bocado mais pequena do que o normal».

Não é preciso dizer mais nada, pois não? A diferença de mentalidades é gritante e enquanto vigorar em Portugal a ditadura da pequenez mental, dificilmente alguém irá a lado algum. O que mais me deixa estupefacto é o típico comentário de muita gente mas hoje dito pela Sara Oliveira da seguinte maneira «Portugal e os atletas de todas a modalidades têm de aprender com a experiência aqui, aprender com as suas falhas e com os êxitos dos outros, porque olhando para eles também conseguimos retirar alguma coisa, e é isso que vou tentar levar daqui». Sara Oliveira já esteve presente nos Jogos Olímpicos de Pequim, onde bateu o seu recorde pessoal e foi 19.ª. 4 anos depois foi 24.ª e nadou 1,40 segundos acima da sua marca. Pergunto: ainda há alguém que acredite em qualquer tipo de evolução de quem vai à piscina de 4 em 4 anos e ainda se sente pequena quando um momento único desta natureza acontece? Com 26 anos, haverá muito para evoluir? Provavelmente será melhor ficar em casa no Rio de Janeiro'2016 e ver os verdadeiros atletas competirem.

P.S.: Não acredito em doping da nadadora chinesa. Acredito, isso sim, que a tendência é para o Ser Humano se ir superando e estamos perante uma atleta fora do normal, o que acontece com raridade, mas acontece. Provavelmente a marca histórica que Michael Phelps atingiu hoje de atleta olímpico mais medalhado de todos os tempos vai cair. Resta saber quando.

2 comentários:

Persona Naturale disse...

É triste :(

Anónimo disse...

Inteiramente de acordo. Mas o mais relevante, terá sido o facto de antes da nossa integração europeia, todos os atletas reclamavam da falta de infraestruturas, como responsável para os parcos sucessos nas olimpíadas. No entanto, sempre apareciam umas medalhas. Hoje não faltam piscinas olímpicas, pistas de tartan, pavilhões modernos e bem equipados, mas os resultados são deprimentes ? Então qual a relação de causalidade para o insucesso? Obviamente as pessoas. Criamos uma geração de betinhos, mimados, mediatizados, mas sem débeis psicologicamente...é o nosso fado...!