terça-feira, 29 de maio de 2012

Metro Sul do Tejo: ampliar a rede é a solução?

Cinco anos após a entrada em funcionamento do Metro Sul do Tejo (MST), em 2007, esta Parceria Público-Privada (PPP) serviu cerca de 30 milhões de utentes e registou sucessivos prejuízos todos os anos. Estes números são manifestamente inferiores aos esperados - 29 milhões por ano ou 145 milhões ao fim dos 5 anos - e obrigam o Estado a pagar 7,4 milhões de euros, só em 2012, dada a procura insuficiente.

A solução para resolver a escassez de procura é, segundo a CDU/Almada, ampliar o mapa de rede do MST até à Costa de Caparica, numa primeira fase, e ao Barreiro, numa segunda fase. A título pessoal, digo que gostaria de ver um meio de transporte deste género chegar ao maior número de localidades possível. Porém, do querer ao ser possível pode ir uma longa distância. A questão que coloco é: será assim tão fácil como a CDU quer fazer crêr e será assim que se combatem as perdas?

Desde logo, o mapa de rede actual resulta de uma escolha infeliz: antigo, rasgou inexplicavelmente o centro da cidade, passa por zonas que não seriam as privilegiadas e não contempla outras que mereceriam outra atenção, sendo disso exemplo a zona do Almada Forum. Mais, as carreiras são limitadas e muitos preferem os autocarros por privilegiarem um maior número de localidades.

Em segundo lugar, importa saber se um traçado que ligue o Monte de Caparica à Trafaria e à Costa de Caparica é exequível, tendo em consideração a morfologia geológica da zona. Não sou perito nesta matéria, nem tenho conhecimento de nenhum estudo credível sobre isto, mas posso dizer que tenho direito a colocar reservas quando a própria Câmara Municipal de Almada (CMA) propõe construções utópicas e perigosas para zonas em perigo de derrocada. Uma vez mais, insisto, gostaria que este projecto chegasse ao maior número de localidades possível, mas tenho sérias dúvidas que tal seja possível.

Em terceiro lugar, acresce ainda um outro problema relacionado com a angariação de receitas: actualmente, 25% dos passageiros do MST não paga bilheteEm 2010, tal traduziu-se em cerca de 5.000 utentes por dia! A solução encontrada para debelar o problema não foi a melhor: colocar seguranças a bordo de algumas carruagens com inúmeros casos de agressões aos agentes ou casos em que estes, por medo, não exigem a posse do título de transporte a alguns, mas exigem-na a quem, aparentemente, não constitua ameaça. Contudo, ainda que todos pagassem, continuariam a ser insuficientes para garantir balanços positivos.

Finalmente, questiono que a ampliação do mapa de rede seja a solução para os problemas financeiros desta PPP, mesmo que a expansão até à Costa de Caparica fosse possível. Afinal, este não é um destino turístico por excelência ao longo dos 12 meses do ano, nem nada que se pareça. Ou seja, o aumento da rede tenderia a aumentar os custos para o Estado pois tal ampliação obrigaria a uma revisão do número de utentes previstos por ano que dificilmente seriam atingidos dados os meses de época baixa. Muito provavelmente esta extensão acabaria por servir, maioritariamente, os residentes locais, o que é de saudar, mas que estaria longe de ser autossuficiente. Afinal, pretende-se um crescimento sustentado ou sugerem-se planos megalómanos sem viabilidade no curto/médio prazo apenas para cumprir propaganda política? É sempre fácil prometer o que não se tem ou pedir quando são os outros a pagar (Estado central e accionistas). Difícil é prometer e fazer com responsabilidade. Eu gostaria de prometer autocarros de luxo para fazer todas as ruas do concelho de Almada a cada 5 minutos e com segurança a bordo. O problema é que não tenho meios financeiros para concretizar tamanha ambição e não é honesto exigir que sejam terceiros a pagar.  Na verdade, constata-se que se não fosse o Estado central a sustentar este projecto e muito provavelmente os jornais já estariam a anunciar a declaração de insolvência da Metro Transportes do Sul, SA e o fim do MST. Basta acompanhar as notícias: o que levará alguém no seu perfeito juízo a pensar que uma empresa que declara falência e, juntamente com outros accionistas da MST, dá prejuízo noutros lados, tem condições para manter o interesse num projecto que todos os anos dá prejuízo?

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