sábado, 7 de abril de 2012

A qualidade dos arquitectos e dos engenheiros da Câmara Municipal de Almada

Há cerca de 1 mês, a Câmara Municipal de Almada decidiu realizar benfeitorias nos prédios camarários sitos na Quinta de Santo António, Laranjeiro. Estas obras tinham em vista a colocação de portas em cada um dos prédios, de modo a tentar limitar o acesso de estranhos e animais aos prédios, atribuir um ar minimamente renovado a prédios já de si antigos e ainda a colocação de novas caixas de correio para os moradores.

Embora de nada valha tentar maquilhar uma cicatriz para tentar disfarçá-la, a iniciativa até poderia ser interessante se se revelasse eficiente. Porém, aquilo que se vê é exactamente o contrário, por três motivos: (i) as caixas de correio continuam no exterior, podendo ser novamente destruídas por quem ali passa; (ii) a qualidade dos materiais utilizados deixa muito a desejar, notando-se que tal iniciativa se trata (mesmo) de uma obra de maquilhagem e não de renovação propriamente dita; (iii) a concepção das benfeitorias foi feita por alguém que pode perceber dos mais diversos temas menos de arquitectura e/ou engenharia.

O que me leva a chegar a esta última conclusão é muito simples. Desde logo:
  • A distância entre o último lanço de escadas que dão acesso à entrada dos prédios era de 3 metros e passou a ser agora de 1,80m, limitando o espaço de circulação das pessoas;
  • Mais grave e menos inteligente: a porta abre para o lado de dentro, reduzindo o espaço de mobilidade para apenas 40cm;
  • Igualmente grave e igualmente pouco inteligente: a porta não abre na sua totalidade até encostar na parede, abrindo antes a apenas um ângulo de 55º e ocupa o espaço de acesso ao lanço de escadas, impedindo que se possa transportar (tanto dar entrada como retirar) um sofá, um frigorífico, uma máquina de lavar-roupa, etc. Pior: um deficiente que faça uso de uma cadeira de rodas tem de ser retirado da mesma, a cadeira tem de ser desfeita e voltar a ser montada já no espaço exterior.
As fotografias infra não deixam mentir.



Desconheço quem terá(ão) sido o(s) génio(s) autor(es) de tal projecto, mas certamente perceberão tanto de benfeitorias quanto eu percebo de bolos. Afinal, e para terminar, pergunto à Câmara Municipal de Almada como será se algum dia houver um incêndio num dos prédios ou até mesmo um sismo: as pessoas vão atropelar-se para conseguirem passar por uma fresta de 40cm ou têm de fazer as entradas e saídas à vez? Pior, e de âmbito mais prático, como conseguem os bombeiros fazer o transporte de um doente em maca (ou fora dela) pelas escadas e através do espaço deixado pela porta quando aberta? E se for transporte de urgência? Quem assumirá a responsabilidade por tamanho desastre?

Sem comentários: