quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ainda sobre a nova A33.

Além das pertinentes considerações já feitas por Paulo Carreiro, do CDS-PP/Almada, para o portal Setúbal na Rede, outros aspectos importam referir a propósito da nova A33 (antiga EN377) que liga o Arieiro (perto da Faculdade de Ciências e Tecnologia do Monte da Caparica) à estrada de entrada na Charneca da Caparica e que, futuramente, com outras auto-estradas, integrará o IC32. Desde logo, esta ora chamada auto-estrada começa e termina com rotundas e a totalidade do troço tem menos de 4km, com várias curvas pelo meio. No percurso Charneca-Almada, existe ainda uma bomba da gasolina da Galp, a qual, por agora ter uma auto-estrada a cruzá-la e a dar-lhe acesso, deverá adquirir o estatuto de uma verdadeira estação de serviço, com placas no início do percurso a anunciarem «próxima estação de serviço: 1 km».

Porém, o que mais causa estupefacção nesta chamada auto-estrada é a velocidade máxima de circulação, 80km/h, que é a negação do verdadeiro conceito de «auto-estrada». Ora, de acordo com o art. 1.º, al. a) do Código de Estrada, auto-estrada é a «via pública destinada a trânsito rápido, com separação física de faixas de rodagem, sem cruzamentos de nível nem acesso a propriedades marginais com acessos condicionados e sinalizada como tal». A nomenclatura A33 apresenta logo uma contradição entre o seu nome e aquilo que é na prática ao esbarrar imediatamente no primeiro critério considerado pelo Código de Estrada.

A pergunta que importa colocar é: onde está o «trânsito rápido» quando a velocidade máxima permitida são 80km/h, a recomendada são 70km/h e, segundo o Código só podem circular em auto-estradas veículos que atinjam 60km/h, que circulariam perfeitamente nesta via? Na verdade, 20km/h separam o permitido do obrigatório, o que não faria qualquer diferença numa via com menos de 4km e 3 faixas de rodagem.

Contudo, há mais. Onde estão os «acessos condicionados» exigidos pela lei para que uma auto-estrada o seja realmente, quando a via se inicia numa rotunda com acesso permitido a qualquer veículo e termina noutra com as mesmas características? Uma rotunda onde circulam todo o tipo de veículos, incluindo bicicletas, não é um «acesso condicionado», ao contrário das vias de aceleração, criadas para este efeito.

Em suma, julgo termos encontrado motivos suficientes para obrigar a retirar a nomenclatura «A33» da antiga EN377, tornando-a num Itinerário Complementar (IC). Porém, o facto de se passar a chamar A33 não será de todo inocente, podendo este ser um pretexto para futuramente portajar o troço numa via classificada como auto-estrada mas que é manifestamente inferior (em qualidade e extensão) ao ali tão próximo IC20.

4 comentários:

Anónimo disse...

Atenção que a BT já começou a aproveitar o limite de velocidade, hoje 23.04.2012 para multar o pessoal que trabalha, radar logo às 8h30. E não perdoam, o limite é mesmo 80 Km/h

Anónimo disse...

Pais de m*rda mesmo. Boa exposição.

Anónimo disse...

Confirmo, hoje estava lá o radar e talvez me tenha apanhado, vou aguardar, travei a fundo quando o vi... 80km/h numa AE daquele tamanho é claramente caça à multa. Não entendo

Anónimo disse...

São quatro quilómetros do mais puro vampirismo rodoviário. A BT já desde o ano passado que se dedica quase a tempo inteiro, quase diário, a montar as suas ciladas. De um lado e doutro. Cuidado com o KM3-4, carro descaracterizado na berma traz água no bico. De prevenção só tem mesmo o prevenir as pessoas de gastar o dinheiro noutra coisa qualquer que não na multa. Parecem cães a um osso.

Quem vem no sentido Montijo-Almada então para além das portagens electrónicas se se descuida ainda paga a multa por excesso de velocidade nos últimos quilómetros de AE. Só mesmo nesta merdalheira de país onde o estado tem de fazer dinheiro à força toda.

É que nem numa via reservada o limite de velocidade se queda nos 80 km\h. Quanto mais numa via com perfil de auto-estrada como sinalizado logo depois da rotunda com o sinal H24.

Vamos a Coima, rapaziada!