domingo, 16 de outubro de 2011

Uma vitória e uma oportunidade para Assunção Cristas.

Apesar de consumada a derrota parcial com o aumento do IVA sobre a água engarrafada para 23%, a Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT), Assunção Cristas, confirmou uma vitória mais robusta com o não aumento do preço do vinho e do pão. Recordo que estes tinham sido objectivos traçados pela Ministra há escassas semanas (vide aqui e aqui). Outra poderá estar para vir: num momento em que muitos dão como certo o fracasso de cruzar a meta de desbloqueio de verbas do PRODER, Cristas insistiu, na passada sexta-feira, que, mesmo apesar das dificuldades, aguarda a execução de 100 milhões de euros até ao final do ano. Acreditamos todos que, pelo menos, tudo será feito neste sentido.

Numa conferência organizada ontem pelo Correio da Manhã, Assunção Cristas referiu o caso de um produtor português que exporta maçãs de excelente qualidade para França e reserva algumas para o mercado interno. Os franceses propuseram-lhe que exportasse tudo o que produzisse e em troca enviariam as suas maçãs, de qualidade manifestamente inferior, para o mercado português. O objectivo da França é disponibilizar aos seus a maior quantidade possível de produtos de qualidade. Contudo, Assunção Cristas insistiu que o que produzirmos de bom deve ser exportado na maior quantidade que for possível para «dinamizar a nossa economia». Esta afirmação intrigou-me por um simples motivo: não é honesto pedir a um produtor que aceite comercializar a baixo custo em Portugal quando tem no exterior quem lhe ofereça mais. Por outro lado, ainda que Portugal igualasse a oferta francesa - difícil, pois as grandes superfícies comerciais negoceiam em bloco e em massa, estrangulando a capacidade negocial dos agricultores -, os portugueses não têm poder de compra para adquirirem maçãs portuguesas consideradas caras para aquilo que podem pagar e quando têm oferta a preços inferiores.

Ora, estaremos nós a seguir a ideologia do Estado Novo de exportar o melhor que temos e escoar o rançoso para os portugueses com poder de compra reduzido? Aqui está a oportunidade de Assunção Cristas poder brilhar novamente: criar condições suficientes para que os produtores percam o menos possível e garantir produtos acessíveis ao bolso do consumidor médio português.

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